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Josef Wladyka, vencedor do Festival de Tribeca, fala de seu filme 'Manos Sucias'

Longa sobre o narcotráfico na Colômbia teve o apoio de Spike Lee

Mateo Sancho Cardiel , EFE

26 de abril de 2014 | 15h00

Recém-coroado como o melhor diretor novato do Festival de Tribeca, Josef Wladyka, nascido nos Estados Unidos, mas com ascendência polaca e japonesa, viaja ao primeiro escalão da cadeia do narcotráfico na Colômbia em Manos Sucias, uma odisséia sobre dois adolescentes produzida por Spike Lee.

As sofisticadas tramas do mundo da droga vistas em filmes como Operação França e Traffic, têm um lado íntimo, pobre e quase inocente que pode ser visto em Manos Sucias, projeto que Wladyka acariciou durante anos até que Spike Lee, seu profesor na New York University (NYU), deu-lhe uma bolsa para terminá-lo.

"As pessoas conhecem Medellín, as tramas do México, e nós, de maneira alguma, podemos aspirar entender ou encontrar uma resposta para o problema do narcotráfico. É um tema internacional, algo que acontece em todo o mundo, de modo que queríamos abordar um de seus braços muito específico que acontece em Buenaventura (na costa do Pacífico), que é o epicentro do começo de grande parte do narcotráfico e que aprisiona muitos jovens", afirma Wladyka.

O longa, um primo pobre, mas talentoso, de outro que causou sensação no começo do século 21

O filme, primo pobre pero talentoso de otro que causó sensación a principio del siglo XXI, Maria Cheia de Graça, retrata a violenta colisão entre inocência e destruição de dois adolescentes que transportam um carregamento de cocaína pelos rios selvagens próximo ao porto da cidade.

O júri de Tribeca se rendeu a seus pés. "Elegemos um diretor cuja viagem tem sido realmente um exemplo pata todos nós sobre o compromisso com o processo de desenvolvimento e investigação do filme", reconheceu na entrega do prêmio de US$ 50 mil.

"Vemos este longa como uma obra que abre os olhos, que nos transporta a um lugar diferente, estimulando nosso pensamento, permitindo que meditemos sobre a relação entre a violência e a circunstância", concluiu o jurado.

Manos Sucias, que o diretor descreve como um roteiro "mais de comportamentos que de diálogos", começa com uma traquinagem, mas acaba com um filete de sangue silencioso, sinal de uma onda que acabou explodindo no dia 21 de março, com uma intervenção militar que foi consequência do aumento da violência na região.

Wladyka filmou o filme pouco antes, e tudo chegou à mídia quando estreava o filme no Festival de Cartagena de Indias. O jovem cineasta ficou fascinado pela complexidade social da Colômbia quando viajou para lá como mochileiro com amigos, e decidiu que queria fazer um longa sobre Buenaventura.

Ali recrutou dois atores, Jarlin Javier Martínez e Cristian James Abvincula, que deram cor local aos diálogos e realismo às vidas dos personagens, atravessadas por uma mistura de tragédia, virulência e pureza.

"Para mim, o filme fala sobre a perda da inocência, e esses garotos ingênuos que riem e dançam... Mas quando o sangue corre, a inocência morre. Esse é o ciclo", afirmou o diretor, que assumiu o desafio de rodar em cenários naturais e de apostar em um tom de herança documental, mas com sentido de entretenimento e tensão.

"Sabíamos que seria um filme difícil de fazer, porque Buenaventura é um lugar complicado por muitas razões, onde não há infraestrutura cinematográfica. Mas, enquanto viajava pela região e falava com as pessoas sobre o que acontecia, sobre aquele ser um lugar esquecido, mais me dava conta de que era um filme que tínhamos de fazer", afirma.

"Era uma história que tínhamos de contar e não glamourizar, sinalizar a peça desse ciclo que se repete e que aprisiona crianças ainda pequenas. Algo que começou com uma conversa e fez muita gente pensar", acrescenta o diretor, que contou com a colaboração de uma emocionante reunião de cantos religiosos e populares colombianos.

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