José Possi

Diretor com mais de cem espetáculos na carreira, ele não vê limites entre as artes, como comprova seu emoções baratas, em cartaz no Estúdio Emme

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2010 | 00h00

Com qual gênero você prefere trabalhar: drama, comédia, ópera, dança, musical?

Na realidade, gosto do palco, do contato com o ator. O primeiro espetáculo que dirigi, ainda na Bahia, foi A Casa de Bernarda Alba, que é uma grande tragédia. Mas fiz daquilo um marco em minha carreira, uma montagem nada realista. Foi meu batismo no teatro. Mas, talvez o que eu mais goste de fazer é a dança, pois tenho enorme admiração por bailarinos, que têm uma carreira muito sofrida.

Quem que mais influenciou sua carreira?

Trabalhei com muitas pessoas e muitos grupos, mas esteticamente, ainda em 1969, quem mais me marcou foi o Victor Garcia com a montagem do Cemitério de Automóveis e O Balcão. Quando morei nos Estados Unidos, acompanhei diversos grupos de vanguarda, que vinham do mundo inteiro. Aliás, não gosto do termo "vanguarda"pois não existe enquanto estilo ou escola. Existem, sim, trabalhos experimentais que buscam novos caminhos que, às vezes, surpreendem a sociedade.

E sua relação com o drama?

Aprendi com o Paulo Autran e a Irene Ravache a descobrir, nas entrelinhas do drama, o que não precisaria ser levado tão a sério. Especialmente em De Braços Abertos (1984), interpretado pela Irene e o Juca de Oliveira, em que conseguimos ressaltar a ironia e o humor do texto de Maria Adelaide Amaral. Mas, volto a dizer, gosto de trilhar por todos os gêneros.

Essa disposição é notável também é Emoções Baratas, não?

Sim porque, apesar de ser um musical, não gosto de apresentá-lo em um teatro, mas em casas noturnas. O motivo é que o espetáculo nasceu quando visitei um porão, em Boston, em 1977, totalmente lotado e no qual fiquei extasiado com a música maravilhosa. Imediatamente pensei em criar um espetáculo que misturasse bailarinos e público, ou seja, em que os dançarinos pulassem nas mesas e começassem a dançar. Foi assim que, 12 anos depois, nasceu o espetáculo.

E o que dizer da nova dramaturgia mundial?

Muitos escrevem hoje no mundo, mas ninguém consegue ser universal. Yasmina Reza é celebrada, seu trabalho é bom e eficaz, mas tem um falso verniz de cultura. Uma escritora da moda.

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