José Murilo de Carvalho toma posse na ABL

O historiador José Murilo de Carvalho, do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), toma posse hoje à noite na cadeira n.º 5 da Academia Brasileira de Letras e completa o quadro da instituição que, pela primeira vez neste século, tem as suas 40 vagas ocupadas. Ele substitui a escritora Rachel de Queiroz, a primeira mulher a entrar para a Casa de Machado de Assis. O plano do historiador é tornar mais forte os elos entre a Academia Brasileira de Letras, a de Ciências e a universidade. "O intercâmbio entre essas instituições é fundamental pois todas têm muito a contribuir com o País e o farão melhor se dentro de uma união. A médio prazo, pretendo também trabalhar com o Centro de Memória da ABL, pois esta é a minha especialidade." Entre os acadêmicos, comemora-se a chegada de um historiador profissional à ABL, depois de muitos anos em que esse ramo da literatura ficou sem representante. "O Alberto Costa e Silva tem estudos importantes sobre a África e a questão da escravatura, mas é diplomata de carreira. Portanto, desde a morte de José Honório de Carvalho, de Raymundo Faoro e de meu pai, Afonso Arinos, eles estavam ausentes", comentou ontem o diplomata e imortal Afonso Arinos de Mello Franco, que vai fazer a saudação ao novo acadêmico. José Murilo de Carvalho não adiantou como será seu discurso de posse, mas deverá se debruçar sobre a obra de Rachel de Queiroz, de quem é admirador. "Temos formas diferentes de abordar o mesmo assunto, desde o patrono desta cadeira, Bernardo Guimarães, autor do romance A Escrava Isaura, e o político Oswaldo Aranha, que também a ocupou. Entrar para a Academia é um desafio, pois preciso estar à altura deles."

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