José Mindlin é eleito imortal da ABL

O novo acadêmico foi eleito com 36 dos 37 votos válidos, em uma reunião que durou pouco mais de meia hora e foi encerrada logo na primeira votação. Houve um comparecimento recorde de acadêmicos: 27 estiveram na ABL. Apenas um voto em branco e duas abstenções, de Paulo Coelho e Ariano Suassuna. José Mindlin foi eleito imortal da Academia Brasileira de Letras, em eleição ocorrida nesta tarde, no Rio de Janeiro. Mindlin esperou a notícia ao lado da mulher, dona Guita, com quem é casado há 68 anos, e também com duas filhas. Ele pretende voltar para São Paulo ainda hoje, mas prometeu que vai participar ativamente das reuniões da Casa de Machado de Assis, que acontecem às quintas-feiras. "Meus escritores preferidos são Marcel Proust, Machado de Assis e Guimarães Rosa, por isso fico muito contente de pertencer à casa que já foi dos dois últimos. Não conheço bem a estrutura da academia, mas quero incentivar a leitura de livros, tal como já faço no Estado de são Paulo." Mindlin se diz mais leitor do que escritor e considera que começou sua militância cultural em 1930, aos 15 anos, quando tornou-se redator do Estado.A eleição de Mindlin confirma uma tendência de a ABL privilegiar a importância cultural do candidato, mais do que sua produção literária. Tal como Nelson Pereira dos Santos, eleito em março e com posse marcada para 17 de julho, Mindlin escreveu poucos livros. "Sou mais leitor", diz, "por isso nunca quis concorrer. O convite dos acadêmicos e a oportunidade da convivência com eles me decidiu". O empresário e bibliófilo José Mindlin tem 91 anos, é dono da maior coleção de livros do País e publicou pouco, Uma Vida Entre Livros - Reencontro com o Tempo, Memórias Esparsas de Uma Biblioteca e Destaques da Biblioteca Indisciplinada de Guita e José Mindlin. Segundo o escritor Arnaldo Niskier, ex-presidente da Academia Brasileira de Letras, a convivência que ele tem com livros e com escritores enriquece os acadêmicos que são todos mais novos do que ele e a academia que é muito mais velha". Agora, Mindlin vai ocupar a cadeira 29 da Academia Brasileira de Letras, que foi do escritor Josué Montello durante 52 anos. Montello foi o quarto ocupante da cadeira, cujo patrono foi Martins Pena.Ele concorreu com quatro candidatos: Áureo de Mello (poeta, contista e ex-senador), Júlio Romão (escritor e teatrólogo, membro da Academia Piauiense de Letras), Nelson Valente (psicólogo e escritor) e Vilma Guimarães Rosa (escritora e filha do autor de Grande Sertão: Veredas). Mindlin tem 91 anos e a maior coleção de livros do País.Biblioteca rara vai para a USPEm 14 de maio, em cerimônia realizada na Reitoria da Universidade de São Paulo (USP), Mindlin doou a sua Biblioteca Brasiliana, com mais de 25 mil volumes, para o Instituto de Estudos Brasileiros (IEB). A coleção irá para a Biblioteca Mindlin no futuro prédio do instituto. O projeto da nova sede deve ser concluído em 2009. Ele prevê a criação de um curso superior de restauração de livros e a completa digitalização da biblioteca. ?Não existe no mundo universidade com uma coleção como essa?, diz Istvan Jancso, diretor do IEB. A biblioteca de Mindlin resulta de 80 anos de paixão pela Literatura. ?Aos 13 anos ganhei um exemplar da História do Brasil, de Frei Vicente do Salvador, então passei a colecionar os livros, mas não tinha intenção de formar uma biblioteca?, conta o empresário. Entre livros, revistas, documentos e jornais, a ?falta de intenção de Mindlin? resultou numa coleção constantemente atualizada, com mais de 50 mil volumes. ?Doei para a USP para garantir que a biblioteca continue viva e preservada?, disse Mindlin em entrevista ao Estado. Entre as preciosidades da biblioteca do empresário José Mindlin, a maior entre as particulares do País, figura a primeira edição de Os Lusíadas (1572) e a primeira edição ilustrada dos Sonetos de Petrarca (1488), mas seus olhos preferem repousar sobre outra raridade: os originais do livro Grande Sertão: Veredas, publicado em 1956. Mindlin é dono não só do original datilografado por Guimarães Rosa como ostenta uma primeira edição corrigida pelo próprio autor, de quem foi amigo, conforme constatou o jornalista Antonio Gonçalves Filho, em reportagem publicada no Estado em 27 de maio.Matéria alterada às 20h10, com acréscimo de informações

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