RAFAEL ARBEX/ESTADÃO
RAFAEL ARBEX/ESTADÃO

Jose Hermes Martins assume o Arquivo Histórico de SP e Beatriz Arruda, o Museu da Cidade

Secretaria Municipal de Cultura deve nomear ainda este mês os historiadores da USP para os cargos

Camila Molina, O Estado de S. Paulo

15 Agosto 2015 | 07h00

A Oca, no Parque do Ibirapuera, necessita de uma reforma, diz o secretário municipal de Cultura, Nabil Bonduki. “O prédio tem uma única saída de emergência”, afirma. “Para receber exposições de grande público, a Oca tem problemas hoje.” Segundo Bonduki, uma obra emergencial foi realizada nas escotilhas do edifício, mas uma intervenção no subsolo já está sendo discutida com o escritório do arquiteto Paulo Mendes da Rocha, que tem, como explica o secretário, autorização de Oscar Niemeyer, autor da Oca, para promover alterações na construção.

Atualmente, o edifício está vinculado ao Museu da Cidade, equipamento da Prefeitura de São Paulo responsável por 17 espaços, entre casas históricas, e acervos. Com o desligamento de Afonso Luz da direção do órgão, anunciada esta semana, a Secretaria Municipal de Cultura convidou a historiadora e museóloga Beatriz Cavalcanti de Arruda, do Museu de Arte Contemporânea da USP, para o cargo. Sua nomeação deve sair até o fim do mês, diz Bonduki.

A Oca, que demanda R$ 180 mil mensais para manutenção, limpeza e segurança, será apenas um dos problemas a se colocar em discussão na gestão de Beatriz, que fez sua tese de mestrado sobre o Museu da Cidade. Outra questão será a reforma do Pavilhão das Culturas Brasileiras, também no Parque do Ibirapuera, que, segundo estudo, estaria orçada em R$ 22 milhões.

Segundo Nabil Bonduki, a Secretaria de Cultura está em “processo de reestruturação”. Além de escolher Beatriz Arruda para o Museu da Cidade, o secretário vai nomear o historiador e especialista em digitalização de acervos no Instituto Brasileiro de Estudos da USP, Jose Hermes Martins Pereira, para a direção do Arquivo Histórico de São Paulo. O filósofo e crítico de arte Afonso Luz acumulava os dois cargos. Sua saída, depois de dois anos e meio de trabalho, afirma, ocorreu em “comum acordo” com Bonduki. “Há uma diferença de perspectivas, mas não estou chutando o balde”, define Luz. Para ele, “o Museu da Cidade é uma instituição impossível”.

“O Museu da Cidade é hoje apenas uma divisão do Departamento do Patrimônio Histórico. Precisa de uma reestruturação completa dessa área”, diz o secretário de Cultura. A Prefeitura dedica orçamento de R$ 15 milhões para o Departamento do Patrimônio Histórico, Museu da Cidade e Arquivo Histórico, explica a secretaria municipal. Afonso Luz conta que, do montante, cerca de R$ 12 milhões são destinados ao Museu da Cidade. Sua estimativa de trabalho, quando assumiu, seria a necessidade de R$ 46 milhões anuais.

Uma das questões levantadas nesse processo é a discussão sobre o espaço da arte contemporânea no Museu da Cidade. Para Bonduki, o órgão tem como uma de suas funções importantes “tratar da memória da cidade e discutir seus problemas contemporâneos”. Para Afonso Luz, não deveria acontecer o que considera uma “polarização” – e, nesse sentido, ele adquiriu obras modernas e contemporâneas, como de Flávio de Carvalho, Lina Bo Bardi, Livio Abramo, Beto Shwafaty e Fabio Morais para o acervo da instituição. Existe a ideia de exibir as novas peças no fim do ano na Chácara Lane, espaço que integra o Museu da Cidade e que está “paralisado”, define Bonduki.

A prioridade da secretaria, reforça o secretário, é a exibição das 18 coleções – das mais distintas áreas, como arqueologia, fotografia, artes visuais e design, por exemplo – da pasta. Beatriz Arruda e Jose Hermes Martins trabalharão integrados, explica Bonduki – e, com a inauguração recente da Torre da Memória, o Arquivo Histórico tem a vantagem de ter um espaço expositivo a mais.

TAMBÉM NO IBIRAPUERA

O Pavilhão das Culturas Brasileiras, que foi incorporado ao Museu da Cidade, diz o secretário Nabil Bonduki, vai entrar em reformas para ser, de fato, instalado. “O prédio estava precário”, explica. “Na gestão passada, foi feita uma obra que não deu conta do problema.” As obras vão consumir R$ 22 milhões (será necessário o uso de recursos via Lei Rouanet). Durante a obra, o acervo que está no Pavilhão será transferido para a área do prédio da Bienal pertencente à Prefeitura e então concedida ao MAC. 

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