José Bechara inaugura a exposição <i>Geométrica</i>

Sempre se definindo um pintor, oartista carioca José Bechara vem desde 2002 se dedicando a umaexperiência escultórica, aos desdobramentos de seu projeto "ACasa". É curioso como uma pesquisa se transforma ao longo dotempo e, de forma natural, rende diversas possibilidades, comose pode ver agora na Marília Razuk Galeria de Arte, onde Becharainaugura nesta quinta-feira, 15, a exposição Geométrica. Nela está a novae inédita série Open House, com cinco peças escultóricas equatro fotografias sobre outros trabalhos de A Casa. É preciso voltar um pouco na história para dizer sobreessas novas criações do artista. Em 2002, no evento Faxinal dasArtes, no Paraná, José Bechara criou - de um modo inusitado paraele, um pintor - uma obra em que de uma casa real saíam de suasportas e janelas móveis de diversos tipos, provocando umaexperiência arrebatadora e cheia de carga simbólica. Depois, emespaços institucionais, entre eles os Museus de Arte Moderna doRio e de São Paulo, as obras de A Casa se faziam a partir deum cubo de madeira: dele os mesmos móveis saíam de aberturas, seextravasavam da suposta morada de uma forma até mesmo violenta.Houve outros desdobramentos ainda, mas cabem aqui esses doisexemplos. De qualquer maneira, para ressaltar uma característicadesses trabalhos, a escala era monumental. Agora, na série Open House, que será tema de livro a ser publicado pela editoraespanhola Dardo Magazine, as esculturas se apresentam em escalareduzida, como espécies de miniaturas das experiênciasanteriores. Mas não apenas isso. Elas têm como parte de suascomposições o diálogo com cubos geométricos e vazados queinstigam outras relações de cheio e vazio - antes, os buracosdas janelas e portas eram preenchidos pelos móveis que saíamcaoticamente dos cubos - e fazem surgir um novo sentido aotrabalho. "É uma experiência escultórica diferente. É tambémdesenhar no espaço, mas não apenas isso", diz Bechara. A idéia de desenhar e o uso de uma escala reduzida podemfazer sugerir que a construção desses novos trabalhos seja maissutil - não é este o caso -, mas sempre se trata da "herança deconstruir o espaço como na pintura", nas palavras do artista.Mas uma nova característica dessas obras, pela perda daviolência e da monumentalidade, é que agora sua pesquisa está"mais ligada à experiência plástica do que simbólica", diz oartista - a casa era monumental, os móveis, reais, e era"impossível cegar" para as idéias sobre a relação e tensão entreabrigo e espaço hostil que sempre faziam suscitar ao espectadorao ver os trabalhos anteriores de A Casa. É claro que a cargasimbólica ainda está lá nas pequenas obras (elas ainda sãorepresentações de uma casa com a mesma tensão provocada pelasaída dos móveis de seu interior), mas, agora, essa carga é bemmenor, porque o que mais instiga é a "experiência formal"contida nas construções, uma experiência "mais intelectual",como diz o artista. O projeto A Casa partiu desde o início da relação coma geometria, tão cara também à produção pictórica de Bechara -preencher um quadrado vazio (a casa) com um quadrado cheio (apoltrona), a "geometria despercebida do cotidiano" foi o pontode partida, a primeira idéia do artista ainda lá no Paraná.Agora, com o uso de grades, os cubos vazados (da herançaconstrutiva, que lembra as peças de Franz Weissmann), essarelação aparece de maneira um tanto nítida. Cada obra podedesdobrar diversas possibilidades de diálogos entre os cubos eas pequenas casas (feitas de madeira, muitas delas, oxidada) -enfim, diálogos de geometria e de vazios e cheios. Ainda na galeria, o artista pernambucano Paulo Meiraapresenta a mostra O Marco Amador: Sessão Cursos, composta deum vídeo, pinturas e fotografias.José Bechara e Paulo Meira. Marilia Razuk Galeria de Arte. RuaJerônimo da Veiga, 62, telefone (11) 3079-0853. De 2.ª a 6.ª,10h30 às 19 h; sáb., 11 h às 14h. Até 10/4. Abertura hoje,19h30

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