José Bechara e Paulo Meira expõem na Marília Razuk

Nesta sexta-feira, 16, os artistas José Bechara, que participou da 25.ª Bienal, e Paulo Meira, premiado no 46.º Salão de Arte Contemporânea de Pernambuco, ocupam com duas exposições as salas da galeria Marília Razuk, na zona sul de São Paulo. Um constrói casas que são obras, enquanto o outro percorre caminhos absurdos com base na estética da confiança.O carioca Bechara retoma em Geométrica reflexões de um trabalho antigo com obras que marcam uma mudança de rumo em sua trajetória artística, enquanto o pernambucano Meira volta a São Paulo com O Marco Amador: Sessão Cursos, que serve de conclusão para uma série de três trabalhos sobre o estado do homem e das coisas a seu redor, os possíveis caminhos abertos pelo acaso numa combinação aleatória de percursos. O térreo da galeria abriga as instalações de Bechara. São cubos vazados e sólidos violados pela explosão das formas rebeldes de um mobiliário minúsculo. Camas, escadas, janelas e portas extravasam o espaço diminuto a eles dedicado. A matéria se recusa a permanecer dentro dos cubos, que aparecem sólidos e vazios. É uma reflexão sobre as discrepâncias entre um espaço projetado e seu potencial plástico e a realidade material das coisas que ocupam este espaço. "Todo o mobiliário que temos é uma combinação de partes geométricas. Um colchão é um retângulo, um banco é um círculo ligado a linhas verticais", diz o pintor que passou a se dedicar a esculturas há cinco anos, quando construiu uma casa em tamanho real. "Agora minha pintura é contaminada pela experiência com a escultura", diz Bechara. O artista busca nos novos trabalhos uma experiência escultórica distinta, em escala menor. Mas não se trata apenas de reduzir o que já foi feito e sim reavaliar o domínio de um espaço a partir da construção de um novo imaginário. "Não é um trabalho grande em escala reduzida. É uma experiência diferente, outro conjunto de problemas", diz o artista. Para Bechara, as esculturas "são exercícios de desenho a partir de sólidos cheios e vazios, porque o vazio também pode ser esculpido, ele pode ser contido dentro de uma forma". Artista vendadoNo andar de cima, Paulo Meira apresenta a terceira parte da série O Marco Amador. Um vídeo mostra o próprio artista vendado seguindo as ordens de uma palhaça que o orienta em italiano por uma série de paisagens. Um narrador anônimo reflete em português sobre como o acaso pode interferir nos percursos possíveis. Nas paredes estão certificados de conclusão de curso ampliados, mas os documentos estão todos em branco e não especificam o assunto estudado nem o que foi concluído. No primeiro trabalho desta série, o artista aparecia retratado em várias paisagens com uma hélice, objeto que retorna em outras obras. O segundo trabalho, apresentado na mostra Paralela 2006 em São Paulo, é uma videoperformance em que o artista aparece suspenso pela própria pele enquanto é balançado por uma anã vestida como uma das meninas de Velázquez. "É sempre uma idéia de acontecimento, um marco pode ser temporal, geométrico ou físico. Acaba sendo uma reflexão sobre a comunicação. No caso do vídeo, quando você é privado da visão, novas sinapses se ativam no cérebro", diz o artista. Tanto no vídeo em que ele segue os passos ditados em italiano quanto na performance em que ele se entrega ao embalo da anã, existe a necessidade de confiar num elemento externo para avançar para o plano posterior. As mostras Geométrica e O marco amador: sessão cursos ficam em cartaz na galeria de arte Marília Razuk, no Itaim Bibi, até 10 de abril. Geométrica, de José Bechara, e O Marco Amador: Sessão Cursos, de Paulo Meira. Galeria de Arte Marília Razuk. R. Jerônimo da Veiga, 62 lj. 2, Itaim Bibi, SP. www.galeriamariliarazuk.com.br. Fone/fax: 11 3079-0853. Visitação: de 16 de março a 10 de abril. Horários: de segunda a sexta, das 10h30 às 19h00 e sábados das 11h às 15h

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.