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Jornalista invade universos alheios

Ateu e ex-punk, Fred Melo Paiva tenta abrir uma igreja e compõe música sertaneja em O Infiltrado, no canal History

CRISTINA PADIGLIONE, O Estado de S.Paulo

05 de maio de 2013 | 02h10

Um ateu disposto a abrir uma franquia de uma igreja evangélica. Um ex-punk que se orgulha de compor uma música sertaneja. Um sujeito da paz que se põe a lutar MMA ou a virar segurança. Homem casado pronto para aprender os truques da indústria pornô. O jornalista Fred Melo Paiva é o protagonista de todas essas ações, mote da nova série nacional do canal History: O Infiltrado estreia na próxima terça, com nove episódios prontos para uma primeira temporada e um décimo capítulo já produzido para a segunda safra.

E não vale imaginar que ali está um jornalista a fim de viver múltiplos personagens. A graça é justamente dispensar interpretações. "Sou eu mesmo, com todos os meus conflitos", diz Fred, que soma 17 anos de trabalho impresso e faz, com O Infiltrado, sua primeira incursão no universo audiovisual. Como ele mesmo anuncia na abertura do programa, "o desafio é entender o mundo dos outros: eu poderia fazer isso de forma convencional, mas decidi botar barreira abaixo e experimentar na pele o que é fazer parte de diferentes universos".

A ideia veio de produtores independentes - o programa é uma parceria com a Terra Vermelha e a Cinevídeo - que sugeriram a Krishna Mahon, produtora executiva de programação e conteúdo do History, amiga de Fred de longa data, se algo assim não poderia vingar aqui.

O episódio sobre o universo pornô já é o primeiro a ficar para a segunda temporada. A presença do tema na primeira safra forçaria o canal a autoclassificar o programa como não recomendado a menores de 16 anos - ele está classificado para 14. Para protagonizar um strip-tease numa casa de suingue, o jornalista tomou aulas com um profissional do ramo, mas, pecado mortal, esqueceu-se de tirar as meias e de arrancar do peito um band-aid, resquício de quem se feriu com a depilação.

Mineiro, dono de bom texto, Fred Melo Paiva acabou interferindo diretamente no roteiro e conta que se sentiu muito à vontade em dar pitaco na condução dos episódios. "Nós, jornalistas, somos acima de tudo contadores de história, seja no impresso, na TV ou na internet. Isso não muda. Em várias ocasiões, sugeri que a gente abrisse o episódio de outra forma, inverti a narrativa, e acabei valorizando um pouco o off (texto em que narra cenas da série)."

Para Krishna, a única condição imposta à escolha dos temas é que eles não causassem constrangimento a ninguém - nem em Fred nem em quem contracena com ele.

Fé. Para quem crê mais em duende do que em Deus, como anuncia no episódio em torno do evangelismo, que abre a série, Fred honra a missão. Reza a premissa que norteia a série que ele terá de abandonar suas convicções para se transformar no objeto de sua investigação. Assim seja. Disposto a ganhar a vida recebendo dízimo, procura o Apóstolo Gilson Henriques, do Tabernáculo dos Profetas, e conta com sua consultoria para abrir o templo Guardiões do Fiel. Depois, pede ajuda ao personal teólogo Wellington e conhece um pastor que promete emagrecimento instantâneo, mas, diacho, tem de mandar 10% de toda a arrecadação à matriz.

Orando conforme a canção, Fred ainda compõe, em outro episódio, um hit sertanejo em sete minutos, na mesa de uma praça de alimentação de shopping. Também se esmera em outra composição do gênero, Tô Dentro Tô Fora, que jura ter potencial para ser gravada pela dupla Fernando e Sorocaba. "O Sorocaba gostou, vamos ver", aposta o inquieto jornalista, satisfeito com a nova empreitada.

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