Jornada muito além da escuridão

J.J. Abrams fala da sequência de Star Trek, que chega em junho ao Brasil

PEDRO CAIADO , ESPECIAL PARA O ESTADO , LONDRES, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2013 | 02h11

Em 2009, o diretor da bem-sucedida série de TV Lost e sua equipe criativa resolveram recriar a série Jornada nas Estrelas (Star Trek no original) no cinema. O elenco e a história inteligente e bem-humorada renderam uma bilheteria mundial de US$ 386 milhões, culminando em uma sequência, na qual, além dos intérpretes do filme anterior, também estão o ator Benedict Cumberbatch, que vive o vilão Khan, e a atriz Alice Eve, que vive a Dra. Carol Marcus.

"Para nós foi muito importante fazer um filme tendo em mente alguém que não fosse fã ou não tivesse visto o último filme", diz J.J. Abrams em coletiva de imprensa em Londres. Sobre sua abordagem para a série, o diretor explica. "É realmente muito intuitivo. Eu tentei equilibrar o espetáculo, a ação e a aventura, que estão muito presentes, com a comédia na interação dos personagens. Eu tive de voltar e refazer algumas cenas para poder ter esse equilíbrio", explica o americano de 46 anos, que foi apontado recentemente como novo diretor da franquia de Guerra nas Estrelas, após a compra dos direitos pela Disney.

Questionado a respeito da diferença entre Guerra nas Estrelas e Star Trek, ele disse: "Sempre senti que são diferentes mundos e certamente há estrelas nos dois", sorri. "Mas os temas, o tom, os personagens e toda a abordagem os fazem realmente distintos. Não poderiam ser mais diferentes. Mas, obviamente, ainda está muito cedo para falar de Guerra nas Estrelas", desconversa ele. "A ideia em Star Trek é pegar o espírito do que foi feito ha quase 50 anos e aplicar em um tipo de história divertida, que traz ao mesmo tempo cenas com debates mais inteligentes e filosóficos", completa, confessando que se houver uma sequência ele possivelmente estará envolvido como produtor.

O vilão da vez, Khan, rouba a cena nesta sequência. Interpretado pelo ator britânico Benedict Cumberbatch, que Abrams cobre de elogios. "Ele é um gênio e ele nunca vai dizer isso sobre si mesmo", afirma, acrescentando que o contratou após assistir a um episódio da série de TV que estrela, Sherlock, produzida pela BBC. "Ele consegue viver um vilão que não é somente intimidador e sinistro, mas também é alguém que ganha a simpatia do público pouco a pouco", explica.

Benedict conta que teve que passar por uma transformação para viver Khan. "Eu já tive que mudar bastante para interpretar personagens, mas nada nesta escala", confessa o britânico, em tom sério. "Eu tentei vários estilos diferentes e tentei sempre fazê-lo de maneira mais humana. Ele sempre está levemente desconectado, mas ao mesmo tempo sempre focado", explica ele sobre seu vilão, que aparece em incríveis cenas de ação. "Adorei filmar as cenas de ação. Eram cenários enormes, incríveis e com explosões de verdade. Foi muito divertido." O ator confessou ainda que foi vítima de uma das várias brincadeiras entre o elenco. "Eu estava convencido de que tinha que desenhar pontos brancos no meu rosto utilizando um creme armazenado em um pote com um símbolo de radiação. Eu tive que assinar um contrato de mentira que dizia que eu estava ciente daquilo". Abrams interrompe. "Eu odiei essa brincadeira. Todo dia um ator aparecia na minha frente com aquele estúpido creme branco na cara", diz ele, culpando Simon Pegg, o Scotty, pela brincadeira.

Como sugere o título, esta sequência é mais sombria que o filme anterior, uma tendência entre blockbusters da atualidade. "Certamente, filmes como os de Christopher Nolan (diretor de Batman) estão entre os meus favoritos", comenta. O novo filme se passa a maior parte do tempo no século 23, entre Londres e São Francisco, e incorpora elementos como terrorismo. "Eu senti que este era o caminho porque é algo que nos dá medo. Eu sempre achei que filmes de super heróis ou de ficção cientifica são melhores representados em metáforas do que por meio do mundo real", comenta o diretor, acrescentando que "o título deste Star Trek pode enganar o público". "Não há escuridão sem luz. E a ideia de seguir na direção da escuridão está ligada à experiência de terror que os personagens vivem, da mesma forma que o público também vive um desafio todos os dias no mundo real", explica o diretor, que trouxe mágicos e músicos que achou no YouTube para entreter o elenco durante as filmagens. Além da Escuridão - Star Trek estreia no Brasil no dia 14 de junho.

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