Jorge Wilheim comanda Bienal

O arquiteto e urbanista Jorge Wilheim tem uma maneira sui generis de definir qual vai ser seu papel à frente do conselho da Fundação Bienal de São Paulo, cargo para o qual foi eleito na segunda-feira. "Vocês vão ter menos notícia para o jornal", disse o arquiteto.Segundo ele, os problemas internos de relacionamento entre conselheiros e diretoria tiveram demasiado destaque ultimamente na mídia. "A razão para a qual fui eleito é preservar a fundação e o interesse público", afirmou. "Os problemas individuais da bienal foram para a ribalta e isso não interessa, nem para o público nem para a bienal."O arquiteto também informou que o nome do novo curador da Bienal de São Paulo será escolhido pela diretoria executiva da entidade, presidida pelo também arquiteto Carlos Bratke. "Mas é um passo depois do outro; primeiro eles têm de completar a diretoria." Existem atualmente três cargos vagos na diretoria e oito no conselho da fundação. De acordo com Wilheim, tanto conselho e diretoria têm entre 30 a 60 dias para preencher essas vagas. Depois disso, deverão cuidar da organização da próxima Bienal de São Paulo, com data fixada para abril de 2002."Os que se afastaram, se afastaram por decisão pessoal", afirmou o arquiteto, em referência ao grupo de sete conselheiros e diretores da instituição que pediram afastamento dos seus cargos no dia 27 de julho. "A perspectiva agora é de pacificação."Após as renúncias de Milú Villela (segunda vice-presidente e conselheira da entidade), Jens Olensen (primeiro vice-presidente), do presidente do Conselho de Administração, Luiz Seraphico de Assis Carvalho; e outros quatro conselheiros da entidade (Edgardo Pires Ferreira, Jorge da Cunha Lima, Lúcio Gomes Machado e Stella Teixeira de Barros), o curador, Ivo Mesquita, também se demitiu.O problema é que Mesquita e sua equipe de curadores já tinham fechado várias representações internacionais e exposições da próxima bienal. Wilheim disse que a nova composição que dirige a bienal não tem pressa para definir seu sucessor. "Tudo urge, mas nada é tão afobado", afirmou.Ele crê que o mais difícil agora será recompor a diretoria, com a ocupação dos cargos que estão vagos. "São encargos não remunerados, que tomam muito tempo e atenção das pessoas", ponderou. Ele afirmou que Carlos Bratke deverá concluir sua gestão à frente da diretoria.Jorge Wilheim foi escolhido para o cargo por aclamação dos 27 conselheiros presentes, após o presidente da fundação, Carlos Bratke, apresentar uma lista com 42 assinaturas em apoio à candidatura. Ele presidiu a Fundação Bienal de 1986 a 1989, organizando a 19.ª edição da Bienal de São Paulo. Também foi secretário estadual de Economia e Planejamento e secretário estadual do Meio Ambiente, em São Paulo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.