Jorge Takla

DIRETOR E PRODUTOR, ELE ENTENDE DE MUSICAIS E ÓPERA COMO POUCOS E, ESTA SEMANA, INICIA OS ENSAIOS DE EVITA, QUE ESTREIA EM MARÇO, NO TEATRO ALFA

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

16 de janeiro de 2011 | 00h00

Há anos que você se prepara para montar Evita, não?

De fato, há quatro anos que venho negociando os direitos autorais, mas Evita é uma figura que me interessa desde quando eu tinha 6 ou 7 anos. Eu vivia com minha família no Líbano e meu pai, que era diplomata, tinha várias fotos de personalidades mundiais na parede de seu escritório. Eu olhava todas, mas era o de Evita que me hipnotizava, mesmo sem saber quem era aquela mulher.

E como foi o processo de preparação até agora, na véspera do início dos ensaios?

Muito trabalhoso porque Andrew Lloyd Webber e Tim Rice (autor da música e das letras, respectivamente) impõem uma série e condições para liberar os direitos. Tudo foi submetido a eles, desde a quantidade de peruqueiros até a definição do elenco principal - enviei por DVD com imagens da atividade de cada um e os testes dos atores. Foi assim que definimos o elenco de 43 atores, cantores e bailarinos, além dos 30 técnicos.

Por que tamanho detalhismo?

Porque Evita é um musical complexo, inteiramente cantado, sem nenhuma palavra falada. É como uma ópera e essa é a concepção que vou adotar - será uma montagem com cunho épico, pois acompanha a trágica trajetória de uma das mulheres mais poderosas do século 20. E, do ponto de vista musical, é uma montagem que exige cantoras que consigam atingir um grave e um agudo que poucas conseguem. Para mim, é o trabalho de Webber mais poderoso e que menos sofreu com a passagem do tempo.

Como foi o processo de escolha do elenco?

Muito disputado, mas é impressionante como as pessoas chegam bem preparadas. A maioria já vem com as músicas decoradas, os arranjos conhecidos. O que foi ótimo, pois assim, depois de muita seleção, chegamos a Paula Capovilla para o papel principal, além de Daniel Boaventura como Perón e Fred Silveira no papel de Che.

Foi preciso muita pesquisa?

Sim, consultei mais de mil fotos, além de assistir à várias horas de filmes originais na Argentina. Assim, teremos projeções durante a apresentação, que também vai contar com um cenário minimalista: o importante será reforçar a atuação.

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