Jorge Fernando volta ao cartaz com "Boom"

Uma das manias do diretor Jorge Fernando é espiar o espaço ao seu redor e matutar sobre a melhor posição para se colocar uma câmera. "Faço isso naturalmente, como se fosse um exercício mental", comenta Fernando, sempre preocupado em oferecer o melhor olhar para o público. O envolvimento com o espectador, aliás, é o motivo que o faz interpretar todos os personagens do espetáculo Boom, há cinco anos em cartaz e com carreira por diversas capitais brasileiras. Boom volta hoje a São Paulo, agora no Teatro das Artes, no Shopping Eldorado, e com novidades: Fernando estará recebendo o público, na porta do teatro, interpretando a própria mãe, uma idéia que surgiu ao participar, no domingo, do Domingão do Faustão. "Para mim, é importante oferecer o tipo de humor que o espectador espera", comenta ele que, ao longo da temporada, conseguiu desenvolver uma técnica em que logo percebe que tipo de piada mais agrada naquele dia. "E, se por acaso não é tão fácil descobrir isso, paro o espetáculo e pergunto diretamente para a platéia o que eles querem." A adrenalina é combustível vital na rotina de Jorge Fernando, que se divide em diversas funções. No ano passado, estreou na direção cinematográfica com Sexo, Amor e Traição, que já atraiu mais de 2 milhões de pessoas aos cinemas e agora vai ser lançado em DVD. Na televisão, seu hábitat natural, dirigiu a novela Chocolate com Pimenta, que terminou recentemente com um bom ibope. Dirigiu também o show de Zezé de Camargo e Luciano em São Paulo. "Adoro a diversidade e nunca repito um trabalho em um veículo seguido", conta ele, que teve a idéia da criação de Boom pela simples necessidade de se exibir. No espetáculo, Fernando canta e dança ao interpretar o professor Rebelo, um paranormal que recebe diversos espíritos. Seu problema é receber incorporações inesperadas, o que provoca confusões. Entre os espíritos que não o deixam em paz estão o de uma dançarina francesa de cancã, que morreu no Moulin Rouge. Ela sofre muito, pois pensa estar viva e dança até a exaustão, quase levando o professor à loucura. Rebelo recebe também o espírito de uma portuguesa, Ruth, que também acredita estar viva e adora cantar fados. "O espetáculo surgiu para comemorar meus 25 anos de carreira e a idéia principal era juntar dois extremos, espiritualidade com bom humor", conta o ator/diretor, que pediu a Luiz Carlos Góes para escrever o texto e a Marcus Alvisi para dirigir. "O Jorge queria algo que tivesse uma comunicação com o público e que isso fosse a chave do espetáculo", conta Alvisi.Mas isso trouxe problemas: Fernando foi processado por duas pessoas que não entenderam sua forma bem-humorada de interagir. Assim no próximo ano, quando comemorar seus 50 anos de vida, o ator vai estrear um novo espetáculo chamado de Boom Boom, utilizando o esquema das pulseiras: quem escolher a vermelha, estará sinalizando que não quer participar. Já a verde significará uma larga disposição para brincar. Serviço - Boom. De Luiz Carlos Góes. Direção Marcos Alvisi. Duração 80 minutos. SExta e sábado, 21h30; domingo, às 18 horas. R$ 30,oo (sexta) e R$ 40,00. Teatro das Artes. Av. Rebouças. 3.970, tel. 3034-0075

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