Jorge Fernando estréia em SP

Legítimo representante do chamado teatro besteirol - que faz enorme sucesso entre uma parte do público carioca -, o solo Boom, estrelado pelo ator e diretor Jorge Fernando, estréia amanhã no Teatro Procópio Ferreira depois de uma temporada de sucesso no Rio. Escrito por Luis Carlos Góes e dirigido por Marcus Alvisi Boom tem como personagem o médium Rebelo que incorpora "entidades" que vão de uma bailarina de cancã, passando pela cantora lírica Maria Callas até o mago Merlin. "O roteiro foi criado para permitir improvisações e são tantas as possíveis interferências que prefiro chamar o espetáculo de show", diz Jorge Fernando. Ele começa a interagir com o público ainda na fila. "O espetáculo começa 20 minutos antes de começar", brinca. A idéia do solo surgiu há alguns anos, quando o excesso de trabalho como diretor de novelas, especiais, comédias e shows musicais o deixou muito estressado."Percebi que estava irritado e agressivo; tinha perdido a paixão que me movia no início da carreira", relembra. "Decidi, então, batalhar por um trabalho espiritual comigo mesmo". Os mantras repetidos nessa época de recuperação da paz interior Jorge Fernando leva agora ao palco, obviamente acrescidos de uma enorme dose de humor, nem sempre sutil. "Tem muita baixaria", admite.Carioca do subúrbio de Del Castilho, Jorge Fernando começou a atuar ainda adolescente, num grupo de teatro amador. "Ser ator parecia um sonho impossível na minha infância", conta. Aos 19 anos, foi premiado num festival de teatro de Campina Grande, na Paraíba, por sua atuação na peça "História do Zoológico", de Edward Albee.Em seguida, viajou para o Recife, onde adaptou a peça para a forma de monólogo. "Tudo isso naquela época boa em que a gente era andarilho, botava um mochila nas costas e saía por aí", lembra. "Apresentei o monólogo em todos os tipos de espaços, foi uma espécie de faculdade de teatro para mim". Na volta ao Rio, estreou o texto de Albee no Teatro de Bolso do Leblon.Seu talento chamou a atenção do ator André Valli que o indicou para o diretor Luis Carlos Ripper. Assim, em 1975, Jorge Fernando passou a integrar o elenco de "A Rainha Louca" e, em seguida, entrou para o grupo Dzi Croquetes. "Essa experiência mudou minha cabeça", afirma o ator. "Eu era muito politizado, meu teatro era do tipo uma idéia na cabeça e uma faca na mão", conta. "Com o Dzi aprendi a explorar os aspectos lúdicos da arte, a magia do palco".A televisão entrou na vida de Jorge Fernando em 1978, quando foi aprovado por Daniel Filho para o seriado "Ciranda, Cirandinha", um grande sucesso de audiência, no qual contracenava com Fábio Júnior e Denise Bandeira. "Era um programa muito visado pela censura, porque foi o primeiro na televisão a abordar temas como as drogas e a morte de jovens", afirma.No ano seguinte, atuou no denso espetáculo As Gralhas, texto de Bráulio Pedroso inspirado em dois contos de Kafka. "Foi nessa peça que senti vontade de dirigir pela primeira vez", conta. "As 1001 Encarnações de Pompeu Loredo" - já um besteirol - marcou sua estréia como diretor em teatro. Na televisão, foi o dramaturgo Silvio de Abreu quem deu força ao jovem diretor que, ao lado de Guel Arraes, estreou com pé direito na novela Guerra dos Sexos. De lá para cá, dirigiu 18 novelas, além de casos especiais, shows e peças.Boom. Comédia. De Luis Carlos Góes. Direção Marcus Alvisi. Duração: 1h30. Sexta e sábado, às 21 horas; domingo, às 19 horas. R$ 30,00 e R$ 35,00 (sábado). Teatro Procópio Ferreira. Rua Augusta, 2.823, tel. 883-4475. Até 30/6

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