LEO AVERSA
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Jorge Ben Jor: ‘Miles Davis foi decisivo em minha formação’

Artista faz show neste domingo (25), a partir das 16h30, na Praça Heróis da FEB, em Santana; Jorge é o homenageado de um projeto que tem ainda Skank e a cantora Céu

Julio Maria, O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2017 | 07h00

Ele está cada vez mais recluso, arredio, cuidadoso com jornalistas. Jorge Ben Jor apareceu mudo e saiu calado da coletiva de imprensa que foi realizada momentos antes da abertura do novo projeto Nivea Viva, no Rio. Um pouco por ele, outro tanto pelos jornalistas que pareciam surpresos de estarem à sua frente naquela noite. A turnê nacional que homenageia o cantor chega hoje (25) a São Paulo. Será o mesmo show que tem rodado com Skank e a cantora Céu mostrando arranjos novos para músicas bem conhecidas de Jorge. O show, de graça, será a partir das 16h30, na Praça Heróis da FEB, em Santana.

Ao responder ao Estado por e-mail, depois de algumas negativas em ter a conversa pessoalmente, Ben Jor respondeu amenidades sobre o fato de participar da própria homenagem. “É maravilhoso dividir o palco com artistas de tanto talento e do gabarito como Skank e a Céu... Eu gostei de tudo.” Sobre disco novo, disse apenas que “tem novidades vindo por aí”. Ele se negou a responder a duas perguntas: “Desde que passou pelo Beco das Garrafas, no início dos anos 60 até hoje, sua obra trilhou um rumo à parte de movimentos musicais. A MPB não o entendeu?” foi uma. “A Jovem Guarda o abrigou, mas você sempre fez uma música sem paralelo. Isso mais o ajudou ou trouxe dificuldades?” foi outra.

Surpreendentemente, no entanto, falou algo sobre o título de ‘rei do samba-rock’ dado pela comunidade dos bailes de nostalgia de São Paulo. “O samba-rock é uma marca registrada do estilo que toco. Sempre fiz uma grande mistura no meu som e o samba-rock é parte disso.”

A pedido da assessoria do projeto, Samuel Rosa, do Skank, também enviou perguntas a Jorge por e-mail. Samuel: “Você escuta bandas novas com o mesmo interesse e entusiasmo que tinha quando descobriu o Skank?” Jorge: “Continuo ouvindo muito. Como minha profissão é a música, não posso deixar de ouvir todas as novas bandas que surgem no cenário nacional e internacional que cruzam o meu caminho. Um exemplo recente: quando estive no Recife, no show da turnê com Skank e Céu, tive a oportunidade de ouvir a cantora Cirlene Menezes, que gravou Forró Eu. Música da melhor qualidade. Gostei”.

Samuel, mais uma vez em boa forma: “O que foi determinante escutar na sua vida para chegar a essa forma milagrosa, à química que resultou em sua música? O que foi referência para você?”. E Jorge: “O que foi determinante para mim foram os conselhos que eu recebi dos meus pais, que no início não queriam que eu trabalhasse profissionalmente com a música. Além disso, outros conselhos que também recebia do meu irmão, Hélio. Ele sempre me dizia: ‘Se você quiser seguir profissionalmente precisa ouvir esse disco’. Foi então que conheci a música de Miles Davis, o que foi determinante na minha formação musical.” A música de Miles Davis foi determinante na formação de Jorge. Disso, poucos sabiam. E ele continua: “Na época, misturei essa experiência com o que havia de melhor da música brasileira, incluindo João Gilberto”.

Samuel emplaca outra com um pouco de interesse próprio, mas legítimo: “Como você consegue manter a mesma vitalidade em shows com mais de duas horas depois de tantos anos de carreira (faço essa pergunta pessoal porque também quero seguir assim)?”. Jorge: “O que me traz essa vitalidade e energia que todos comentam é a possibilidade de realizar meus shows com músicos maravilhosos que ajudam minha música a fluir de forma natural e harmônica. Isso me motiva cada vez mais”.

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