Joias da temporada 2013

Sociedade de Cultura Artística anuncia programação que tem como principal trunfo a Concertgebouw, em junho

JOÃO MARCOS COELHO, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2012 | 02h19

A vida musical brasileira sempre teve duas vertentes claras. De um lado, os concertos com as orquestras, músicos e grupos brasileiros, formiguinhas teimosas operando com verbas mínimas e quase sem repercussão. De outro, as sociedades de concerto, como a centenária Cultura Artística, que preencheram um vácuo fundamental para se alavancar a prática musical - instigando os músicos locais a se aperfeiçoarem em busca de um padrão internacional de interpretação.

Nesta última década, particularmente de 2008 para cá, "graças" à crise econômica americana e europeia que respingou em todo o mundo desenvolvido, mas muito menos no Brasil, a paisagem alterou-se radicalmente. De repente, orquestras como a Osesp e a Filarmônica de Minas Gerais, que já anunciaram suas temporadas para 2013, atraem solistas de primeiríssima linha. O efeito é claro: os músicos locais elevam seu padrão de qualidade e um público maior tem acesso a este tipo de música.

Num panorama supercompetitivo como este, é ainda mais relevante a Sociedade de Cultura Artística conquistar um diferencial altamente expressivo, feito a ser comemorado. Anuncia, em sua temporada 2013, um cardápio excepcional de dez atrações em 20 concertos, de abril a novembro, sempre na Sala São Paulo. Informações sobre assinaturas para os concertos da Sociedade em www.culturaartistica.com.br.

A joia da programação é a vinda da Orquestra Real do Concertgebouw de Amsterdã em junho, com seu maestro titular, o badalado Mariss Jansons. Este letão de 69 anos já esteve aqui. Mas nunca com a Concertgebouw, tida por muitos como a mais qualificada orquestra do planeta. No repertório, Rachmaninov, Tchaikovski e Mahler, mas a ansiedade em assisti-la ao vivo é grande.

Outro trunfo é a vinda em outubro da Orquestra Sinfônica de Lahti com seu titular Okku Kamu. Eles tocarão Sibelius, naturalmente (possuem a melhor integral de sua obra, pelo selo BIS). Kent Nagano e a Orquestra Sinfônica de Montreal abrem a temporada em abril com Liszt, Wagner, Brahms, Ravel, Berlioz, Rimski e Stravinski (Pássaro de Fogo).

O excepcional flautista Emmanuel Pahud, estrela da Orquestra de Câmara Franz Liszt, vai solar em maio, entre outros, o concerto para flauta do rei Frederico o Grande, da Prússia; o mítico Quarteto Borodin, em junho, toca dois quartetos de Tchaikovski (raridades), o terceiro de Brahms e o oitavo de Shostakovich. E o historicamente informado Combattimento Consort Amsterdam, em novembro, toca a suite Boreades de Rameau e a Sinfonia n.º 44 de Haydn, a fúnebre.

Em setembro a venezuelana Gabriela Montero combina duas encorpadas peças de Brahms e Schumann (deste, a incrível Fantasia em Dó Maior, Opus 17) com improvisos ao sabor do momento. O violinista norte-americano Joshua Bell vem na passagem de agosto/setembro para um programa a definir. Nomeado ano passado como diretor da lendária Academy of St. Martin-in-the-Fields imortalizada por Sir Neville Marriner, Joshua é uma das estrelas de seu instrumento na atualidade.

O segundo pianista de 2013 é o notável polonês Piotr Anderzewski. Adora os grandes ciclos, como as Variações Diabelli, portanto se pode esperar um repertório desafiador.

Deixei para o final, de propósito, o fabuloso violoncelista Yo-Yo Ma, que virá em maio, trazendo a tiracolo, sua fiel escudeira ao piano, a inglesa Kathryn Stott. No programa eclético, obras curtas de Stravinski, Piazzolla, De Falla, Messiaen, além de duas gemas brasileiras, Alma Brasileira do Villa e Dança Negra de Guarnieri. Para terminar, uma sonata de Brahms.

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