Jóias brasileiras brilham em Hollywood

O novo filme de Woody Allen, que estréia na semana que vem nos Estados Unidos, The Curse of the Jade Scorpion - a maldição do escorpião de jade - é sobre um roubo de um colar. E o colar é brasileiro, fornecido pela grife H. Stern, que confeccionou a jóia a pedido da produção. "Como jade não é uma pedra que esteja muito em uso, não tínhamos nada pronto", explica Andrea Hansen, diretora de Marketing da joalheria em Nova York. A solução foi refazer com jade um dos modelos da linha Moon Face, lançada há quatro anos, com pingentes de água marinha, quartzo fumê, citrino e ametista.Não é a primeira vez que uma jóia H. Stern aparece no cinema. Na verdade, as peças da grife freqüentam com bastante assiduidade filmes e seriados de TV, no Brasil e nos Estados Unidos. É o modelo Form da joalheria o relógio que Bruce Willis escolheu para usar no filme Meu Vizinho Mafioso e o que Jeff Bridges usa em The Contender. São H. Stern também todas as jóias usadas nos filmes Copacabana, Memórias Póstumas de Brás Cubas e A Partilha. Os brincos e colares que enfeitaram orelhas e colo de Maria Eduarda, assim como os de todas as personagens de Os Maias, também saíram dos cofres da joalheria. E trazem a grife H. Stern o colar e os brincos de brilhantes que a personagem Monica (Courtney Cox), do seriado Friends, usa em seu casamento, no último capítulo da série. Assim como o conjunto de ouro amarelo usado pela dama de honra.Cofre para o Oscar - No caso de Friends, houve a chamada feliz coincidência. Andrea Hansen estava em Los Angeles com um pequeno carregamento de jóias, como faz habitualmente à época do Oscar, quando muitas atrizes estão à procura do complemento ideal para seus figurinos.Catherine Zetta-Jones já havia escolhido o tal colar de brilhantes com o qual apareceu na cerimônia, quando Andrea foi procurada pela figurinista do seriado. O capítulo do casamento ia ser gravado no dia seguinte, num estúdio de Los Angeles, e ela se lembrou do cofre de Andrea.Mas em geral há mais planejamento do que acaso nessas relações entre os joalheiros e os produtores. "Fazemos um trabalho sistemático", explica Tipiti Simonsen Barros, gerente de Marketing da empresa em São Paulo. "É uma proximidade que nos interessa, porque nos obriga a organizar o nosso olhar sobre as jóias, os estilos e as épocas", diz Tipiti. "Além disso, ser procurados por figurinistas como Emilia Duncan (Copacabana) e Marjorie Gueller (Memórias Póstumas) indica o reconhecimento conquistado pela marca."Trata-se de uma conveniência de mão dupla, é claro. A figurinista Marjorie Gueller, por exemplo, precisava do que define como "algumas jóias poderosas". Em outras palavras, que mantivessem a nobreza mesmo quando filmadas em close.À prova de close - "Nossa aderecista resolveu muita coisa, com material da 25 de Março e habilidade", ela conta. "Mas para algumas cenas eu precisava de jóias de verdade". Marjorie visitou o acervo da joalheria com as especificações do figurino e encontrou o que buscava."Foi sensacional", lembra. "No dia e na hora marcada desembarcou nas filmagens de umas cenas na Bahia um colar de rubis de uns US$ 300 mil dólares, acompanhado por uma comitiva de seguranças armados". Houve um certo mal-estar na cena em que a Marcela (Sônia Braga) ameaça atirar o colar pela janela, recorda-se Marjorie. Mas os guardas engoliram em seco e a cena saiu perfeita.A H. Stern foi fundada nos anos 40, mas muitas das jóias de seu acervo têm desenhos clássicos, que passam perfeitamente por peças do século 19, quando misturadas a figurinos de época.Freqüentemente, pode-se contar com jóias exatamente da época descrita no roteiro, como foi o caso de Bossa Nova, de A Partilha e de Copacabana, que se desenrola dos anos 20 até as útimas décadas do século passado.Na cena que reproduz o Baile dos Pracinhas, realizado em 1945 no Hotel Copacabana Palace, rodopiaram com as atrizes R$ 460 mil em jóias, como o conjunto de colar, brinco, broche e pulseira em citrino e brilhantes da personagem Salete (Ana Beatriz Nogueira) ou como o colar, brinco e broche com esmeraldas e brilhantes de Salma (Louise Cardoso). Um colar de ouro branco e diamantes brancos, amarelos e conhaque, chamado Fireworks, usado em outra cena por Miloca (Fernanda Badauê) valia R$ 68 mil.Mas quando não existe a peça adequada ao figurino, como foi o caso do colar do filme de Woody Allen, os designers da joalheria encarregam-se de confeccionar. Foi assim também para o filme Villa-Lobos, de Zelito Vianna. O anel de ouro do maestro, com um desenho semelhante a um brasão, usado por Marcos Palmeira e por Antonio Fagundes, foi feito especialmente e hoje pertence ao acervo.

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