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'Joia Rara' traz 2ª Guerra e Intentona

Com o budismo como pretexto de um grande romance, novela das 6 revisita episódios históricos

Cristina Padiglione, O Estado de S.Paulo

16 Setembro 2013 | 02h19

Até o mais desavisado dos telespectadores notará que a novela das 6 da Globo muda de script hoje. Sai a luz tropical predominante de Flor do Caribe, entra a textura de neblina dos Himalaias, ponto de partida de Joia Rara. A autoria é de Duca Rachid e Thelma Guedes, dupla que deixou as melhores referências à faixa das 18 h da Globo com Cordel Encantado. E a direção, idem, é da mesma turma de Cordel, sob o comando de Amora Mautner, no núcleo de Ricardo Waddington, que também imprimiu seus créditos à aclamada Avenida Brasil.

Por aí o espectador já pode ter uma ideia de onde está pisando. Mesmo o elenco encontra vários nomes coincidentes com Avenida Brasil, a começar pela pequena Mel Maia, que foi Rita/Nina na primeira fase da trama das 9. Agora filha do milionário Franz Hauser (Bruno Gagliasso) e da operária Amélia (Bianca Bin), a menina é o alvo central do novo enredo. A ela está reservada a alma do líder espiritual Ananda Rinpoche (Nelson Xavier) e será ela o foco da busca dos monges vividos por Caio Blat e Angelo Antonio, discípulos de Ananda, que procuram pelo ser reencarnado. "É raríssimo acontecer, segundo o budismo, a reencarnação de um lama em uma menina, mas existe", assegura Duca.

O público saberá de imediato que a menina é quem os monges procuram. Mas a busca tomará uns bons anos da trama. No momento em que as pistas os chamam ao Brasil, explode a 2ª Guerra e eles são forçados a esperar até 1945 para viajar.

"Não é documentário, estamos contando uma ficção e é claro que há licenças poéticas. Nos anos 30 ou 40, seria impensável que monges viessem do Himalaia para o Brasil", admite Thelma. O enredo, no entanto, é bom pretexto para levar o público ao contexto histórico da guerra e da Intentona Comunista, outro episódio que determina os rumos dessa prosa.

A história começa no início dos anos 30, quando Franz cria um vínculo profundo com Ananda. Vítima de uma avalanche nos Himalaias, foi parar no mosteiro liderado por ele. De volta ao Brasil, o rapaz se casa com Amélia, contra a vontade do pai, o industrial Ernest Hauser - "quase um nazista", avisam as autoras -, personagem que põe José de Abreu de novo na condição de vilão. No círculo dos malvados, ele não está só: conta com a imprescindível companhia de Manfred (Carmo Dalla Vecchia), seu filho bastardo com a governanta Frau Gertrude (Ana Lúcia Torre).

Mal dá à luz, Amélia será acusada de comunista, um crime para a época, e ficará dez anos presa. E não que a novela se prontifique a apresentar comunista como criminoso de fato, mas a operária só foi parar na prisão por obra de uma emboscada do sogro.

PRÉ SINDICAL

Amélia foi vítima da armação do pai de Franz, mas não passa longe do "mal" de que é acusada. De família militante por melhores condições de trabalho, é irmã de Mundo (Domingos Montagner), que lidera os operários da fábrica de Ernest, ao lado de Toni (Thiago Lacerda). Vem daí outra oportunidade de levar o telespectador de novela a conhecer ou a revisitar a nossa história, já que a trama passará pelo Estado Novo instaurado por Getúlio Vargas.

A anistia, em 1945, representará um recomeço para a trajetória de todos, especialmente Mundo, preso como a irmã, e Amélia, que só então terá a chance de conviver com a filha. Para aguçar os conflitos dignos de folhetim, Mundo é apaixonado por Iolanda (Carolina Dieckmann), mas ela será forçada a se casar com o pérfido Ernest.

Nesse universo de budismo, guerra e política, sempre tendo o romance como primeiro plano, cabe ainda um cortiço e um cabaré da Lapa carioca dos anos 30/40 - de novo com alguma licença poética. É no cortiço que moram quase todos os funcionários da fábrica. Também é lá onde os monges se hospedarão quando chegarem ao Rio.

O elenco esbanja grifes. Além dos nomes já citados, estão em cena, entre outros, Luiz Gustavo, Rosi Campos, Mariana Ximenes, Marcelo Médici, Letícia Spiller, Cláudia Missura, Nathália Dill e Fabíula Nascimento. /

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