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Johnny Depp estrela seu oitavo filme com Tim Burton

'Sombras da Noite' baseia-se na série de TV 'Dark Shadows', que foi ao ar entre 1966 e 1971

Luiz Carlos Merten - O Estado de S.Paulo,

22 de junho de 2012 | 03h10

Na tradição de parcerias lendárias - como a de John Wayne com o diretor John Ford -, Johnny Depp estrela seu oitavo filme de Tim Burton. Sombras da Noite confirma o cansaço da dupla, que recicla a bizarrice de personagens e situações, sem nada acrescentar de novo à fórmula. Ah, sim, é um filme de vampiro, baseia-se numa série de TV Dark Shadows, que foi ao ar entre 1966 e 1971.

Os e as tietes de Depp vão adorar, mas ele dá a impressão de atuar no piloto automático. Perdeu a aura e a alma, embora você talvez possa argumentar de que faz isso para servir ao personagem. Michelle Pfeiffer não está muito melhor - se alguém brilha, e rouba a cena, é Eva Green. Tim Burton, por sua vez, dá a impressão de que desistiu de ser autor. Ele permite que o cenógrafo e o diretor de arte, mais burtonianos que ele, assumam o controle. O visual é tudo - tudo?

Johnny Depp e Tim Burton eram tão bons na época de Edward Mãos de Tesoura e Ed Wood. Havia na fábula sobre o lunático garoto que criava beleza com as mãos de tesoura, mas não conseguia tocar o objeto do seu desejo, algo de genuinamente triste, e poético. Ed Wood, o pior cineasta do mundo, era tão autêntico na sua inépcia que a licença poética de Burton, propondo seu encontro, de igual para igual, com o gênio Orson Welles era um achado de arte (e vida). A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça e Sweeney Todd ainda tinham atrativos, mas A Fantástica Fábrica de Chocolate e Alice no País das Maravilhas chegavam a ser paródicos do próprio estilo. A situação não melhora em Sombras da Noite.

No fim do século 18, Joshua e Naomi Collins, mais o filho Barnabas, fugiram de Liverpool para iniciar vida nova na 'América'. A família tentava escapar de uma maldição, mas ela se concretizou. Barnabas, vítima de uma bruxa, virou vampiro e foi confinado em seu ataúde. O sono durou 200 anos, findos os quais ele é libertado e ressurge nos tempos modernos, tentando reconstituir sua vida familiar. Na melhor das hipóteses, Sombras da Noite sugere o que o Tim Burton da boa fase poderia ter feito com a Família Adams. Do jeito que está, o filme só satisfaz defensores da 'política dos autores', que são capazes de morrer abraçados a Tim Burton no enterro do Titanic particular do cineasta.

Mas digamos que o filme não é horroroso. Tem uma elaborada direção de arte e Eva Green, para compensar a apatia de Johnny Depp. O clima gótico manifesta-se nos detalhes que permeiam a narrativa e no visual que faz com que todos os filmes de Tim Burton se assemelhem, mesmo na diferença. O próprio Barnabas Collins não difere muito de outros personagens burtonianos, que dão a mesma impressão de inocência e fragilidade num mundo que não os compreende nem aceita. Mais do mesmo - falta paixão. Mas, claro, sempre haverá alguém para dizer que paixão é coisa subjetiva. Tem até gente que ainda gosta de Tim Burton...

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