Michel Euler/ AP
Michel Euler/ AP

John Galliano é multado em 6 mil euros por declarações antissemitas

Ex-estilista da grife Dior foi condenado por tribunal francês após ter sido flagrado em um vídeo no ano passado

NICK VINOCUR E THIERRY LEVEQUE, REUTERS

08 de setembro de 2011 | 10h11

Um tribunal francês impôs nesta quinta-feira uma multa de 6.000 euros ao estilista John Galliano por causa de declarações antissemitas que ele fez no ano passado, e que lhe custaram seu emprego na grife Dior.

A multa ficará suspensa e não será cobrada se ele se comportar bem pelos próximos anos. Mesmo que isso não ocorra, seu valor é irrisório diante da fortuna atribuída ao estilista.

A promotoria havia recomendado em junho essa penalidade, bem abaixo da sentença máxima para casos como esses - multa de 22 mil euros e pena de 6 meses de prisão.

"Apesar da tripla dependência da qual ele estava sofrendo, ele estava suficientemente lúcido para ter consciência dos seus atos", disse a juíza Anne-Marie Sauteraud, lendo a decisão da corte.

O tribunal disse que a sentença foi relativamente branda porque Galliano não tinha antecedentes criminais, sempre havia demonstrado respeito e tolerância, e decidiu se tratar do vício em drogas e álcool depois de ser preso.

A juíza disse também que o réu avisou que não iria à leitura da sentença para evitar um confronto com a imprensa.

Além da multa, Galliano foi condenado também a pagar mais de 5.000 euros em custas judiciais, além de 1 euro em indenização simbólica a cada uma das partes acusadoras.

O estilista britânico foi filmado no ano passado em um bar sofisticado de Paris, fazendo insultos antissemitas contra um casal. O incidente causou um grave dano à sua reputação, gerando críticas de personalidades como Karl Lagerfeld e Natalie Portman.

Galliano, outrora visto como um dos grandes nomes da moda mundial, fez poucas aparições públicas desde então. Em junho, numa audiência no tribunal de Paris, ele falou de um jeito amuado sobre o fato de ser dependente de álcool, soníferos e tranquilizantes. Ele virou, conforme suas próprias palavras, "um fantasma de si mesmo".

Pelo menos uma acusadora, Geraldine Bloch, ficou satisfeita com o resultado do processo, segundo seu advogado. "Ela viu um homem que estava destruído fisicamente, um homem doente", afirmou Yves Beddouk à Reuters. "Para ela e para mim, isso já está no passado, ele foi privado do seu status como ícone, e essa é a verdadeira punição."

O estilista, de 50 anos, voltou ao mundo da moda há cerca de um ano, quando desenhou o vestido de casamento da sua amiga modelo Kate Moss.

"Ela me desafiou a voltar a ser John Galliano. Eu não conseguia pegar um lápis. Essa foi a minha reabilitação criativa", disse ele à edição de setembro da Vogue norte-americana.

Mas o mundo da moda já passou para outra, e seu foco agora é saber quem irá assumir a grife Dior depois da opaca coleção outono/inverno - a primeira sem Galliano -, que foi comandada por seu tradicional colaborador Bill Gaytten.

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