Joaquim Pedro, Nolan, Truffaut...

Para Sempre Cinderella

LUIZ CARLOS MERTEN, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2012 | 03h07

15H50 NA GLOBO

(Ever After). EUA, 1998. Direção de Andy Tennant, com Drew Barrymore, Anjelica Huston, Dougray Scott,

Patrick Godfrey, Megan Dodds,

Melaine Lynskey.

O cinema contou muitas vezes a história de Cinderela, mas poucas com o charme desta versão que tem Drew Barrymore na pele da princesa rebaixada a doméstica e Anjelica Huston liberando sua porção malvada como a madrasta. O diretor Tennant tem jeito para recontar velhas histórias, às quais imprime algo novo (frescor?). Reprise, colorido, 120 min.

Batman: O Cavaleiro das

Trevas

22H30 NO SBT

(The Dark Knight). EUA, 2008. Direção de Cristopher Nolan, com Christian Bale, Heath Ledger, Aaron Eckhart, Michael Caine, Maggie Gyllenhaal, Gary Oldman, Morgan Freeman,

Cillian Murphy.

Todo o princípio da mise-en-scène deste filme baseia-se na ideia da inversão, culminando na cena em que, graças a um vertiginoso movimento de câmera, Batman e o Coringa ficam de frente um para o outro, cabeça com cabeça, mas os corpos em sentidos contrários. É a apropriação de Escher, cujos labirintos o diretor Nolan reconstituiu no posterior

A Origem. Aqui, Bruce Wayne/Batman enfrenta dois poderosos inimigos - Aaron Eckhart, que vende a alma ao Diabo e busca o controle de Gotham City, e o Coringa, interpretado por Heath Ledger (que ganhou o Oscar de coadjuvante pelo papel). Batman e o Coringa são as duas faces (e o yin e o yang) da mesma moeda. Um grande filme, e a prova (mas ainda era necessária?) de que existe vida inteligente no cinemão. Reprise, colorido, 144 min.

Stockhausen/Preljocaj:

Conversas

23H30 NA CULTURA

(Stokhausen / Preljocaj Dialogue). França, 2008. Direção de Olivier

Assayas.

Dos Beatles a Björk, a influência do compositor alemão Karlheinz Stockhausen se faz sentir sobre múltiplas manifestações musicais, e não apenas sobre elas. O francês Assayas, de Horas de Verão e Carlos, investiga o assunto por meio de um diálogo entre as criações de Stockhausen e do coreógrafo albanês Angelin Preljocaj. Seu filme carrega uma indagação instigante - como abordar (e até desfrutar) a vanguarda? Reprise, colorido, 50 min.

TV Paga

O Garoto Selvagem

18H40 NO TELECINE CULT

(L'Enfant Sauvage). França, 1968.

Direção e interpretação de François Truffaut, com Jean-Pierre Cargol.Truffaut pode ter feito filmes até mais famosos - Os Incompreendidos e Jules e Jim (Uma Mulher para Dois) -, mas sua obra-prima é este filme sobre garoto criado entre animais selvagens e o professor que lhe ensina os signos da linguagem. Por mais que amasse Jean Renoir, os mestres de Truffaut foram Roberto Rossellini e Alfred Hitchcock. Este é seu trabalho mais 'rosselliniano', na forma, nos temas. A cena em que o garoto uiva à luz da Lua é dilacerante de beleza,

e tristeza. O cinema registra poucas cenas de igual intensidade sobre solidão e isolamento. Reprise, preto e branco, 85 min.

A Guerra dos Mundos

22 H NO TCM

(The War of the Worlds). EUA, 1953. Direção de Byron Haskin, com Gene Barry, Les Tremayne, Ann Robinson,

Há quase 60 anos, a fantasia científica que Byron Haskin adaptou do livro famoso de H.G. Wells ganhou o Oscar de efeitos visuais, e é interessante sintonizar na emissora para avaliar quanto a tecnologia evoluiu neste tempo todo. O filme trata da invasão da Terra pelos marcianos e, na época, em plena Guerra da Coreia, os críticos deploraram a solução dramática - a guerra bacteriológica - como arma contra os 'vermelhos'. Hoje, pode-se comparar a versão de Haskin com a de Steven Spielberg, que integra a trilogia (informal) do diretor sobre o 11 de Setembro, formada também por O Terminal e Munique. A de Spielberg é melhor, e não apenas pela técnica de ponta. O curioso é que, em Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, Steven voltou-se de novo para Haskin, assimilando, num dos episódios da ação, o ataque das formigas de Selva Nua. Reprise, colorido, 85 min.

Os Inconfidentes

1H45 NO CANAL BRASIL

Brasil, 1972. Direção de Joaquim Pedro de Andrade, com José Wilker, Luiz Linhares, Paulo César Pereio, Fernando Torres, Nelson Dantas, Carlos

Gregório, Margarida Rey.

Joaquim Pedro baseou-se em Cecília Meirelles (O Romanceiro da Inconfidência) e Tomás Antônio Gonzaga (Os Autos da Devassa) para contar a história do movimento que irrompeu em Minas, no fim do século 18, e também para traçar seu perfil do lendário Tiradentes. Naquele mesmo ano, Carlos Coimbra fez Independência ou Morte, que virou emblema das comemorações do sesquicentenário da Independência, pela ditadura militar. Em comparação, o filme de Joaquim Pedro não poderia ser mais à margem - nem crítico. É a obra-prima do autor, embora esta seja uma afirmação sujeita à controvérsia. Joaquim costuma ser mais festejado por sua vertente 'tropicalista' - Macunaíma -, mas a essência mineira representa o melhor e mais profundo de sua obra. Não apenas Os Inconfidentes, mas também O Padre e a Moça, que o precede. Reprise, colorido, 100 min.

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