João Falcão reencena comédia popular

A última peça que João Falcão escreveuantes de ir para o Rio para encenar A Máquina, A Dona daHistória e, no ano passado, Cambaio, foi Mamãe não PodeSaber, uma comédia tão surreal quanto a realidade brasileira.O espetáculo estréia na sexta-feira no Teatro SescCopacabana, com um elenco de atores globais, nove anos depois desua temporada pernambucana. O autor-diretor considera o texto mais atual hoje que naépoca em que o escreveu. "Tudo continua tão absurdo que a peçanão ficou datada", diz Falcão. "Fiz uma leve adaptação porcausa da mudança do espaço cênico e porque eu mudei ao longodesse tempo." Em nove anos, João Falcão tornou-se uma referência debom texto e realização cênica. Além dos espetáculos de teatro,sucessos de público e crítica, escreveu para a televisão, sempreem parceria ou sob a direção de Guel Arraes, projetosbem-sucedidos como as séries Brasil Especial (adaptações declássicos brasileiros), Comédias da Vida Privada(dramatizações de crônicas de Luis Fernando Verissimo) e, maisrecentemente, episódios de Brava Gente, textos curtosadaptados ou criados especialmente para a TV. Seu últimotrabalho, no entanto, foi dirigir o musical Cambaio, quetinha músicas de Chico Buarque e Edu Lobo. "São duas experiências totalmente diferentes. Enquantoem Cambaio um grupo enorme mergulhou em oficinas de criaçãodurante oito meses para criar uma superprodução, Mamãe nãoPode Saber teve um mês de ensaios, a partir da vontade depoucas pessoas de trabalharem juntas", compara Falcão. "Vamos ficar só três semanas no Sesc porque foi aoportunidade que pintou. Não esperamos sequer um patrocínio paracomeçar a trabalhar, num processo inverso ao habitual emmontagens teatrais. Estamos levantando essa peça porque temoscondições de nos dar esse presente." Ao falar no plural, João Falcão se refere aos atoresDrica Moraes, Vladimir Brichta (galã global descoberto em AMáquina), Lázaro Ramos, Edmilson Barros e Alessandra Maestrini(protagonista de Les Misérables) e à equipe técnica, quecompõem um grupo que, se não é uma companhia fixa, tem umafilosofia convergente e volta e meia se junta na televisão ou noteatro. Desta vez, eles vivem uma família em conflito: a mãeperua quer fazer da filha pré-adolescente uma top model, pararesolver os problemas financeiros do grupo, enquanto o pai tentatornar-se político, embora não consiga sequer decorar o textoque seu marqueteiro lhe ensina. Tudo se acirra com a chegada da mãe do título, quemantém a família, mas não pode saber de suas agruras. "A peça éuma comédia popular, com situações absurdas que vivemos hoje",resume João Falcão. "Mas é também um pouco sobre o teatro e ouniverso da representação."

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