Jô Soares inaugura mostra de arte em SP

Após 18 anos longe das galerias de arte, Jô Soares inaugura hoje uma exposição no Museu Brasileiro da Escultura, Quadro de Luz, com obras que ele vem realizando desde 2002. Muita gente não sabe, mas Jô Soares já participou da 9.ª Bienal de Arte de São Paulo, em 1967 e ganhou a medalha de prata do Salão de Campinas daquele ano. Entre outras mostras, fez duas individuais, uma, na década de 60, na Galeria Atrium, e outra em 1986, na Galeria Ipanema, no Rio. Esta, sua última. Até agora. Com curadoria de José Roberto Aguilar e de Ivald Granato, Quadro de Luz, reúne 53 telas. Por causa da limitação física, causada por um acidente de moto, Jô teve de recorrer a um outro processo para continuar seu trabalho como artista plástico. A técnica usada é a da digicromia única. Os desenhos que realiza a lápis ou com canetas de ponta porosa são escaneados - alguns são até mesmo realizados a partir de fotos tiradas por Jô -, manipulados no computador e impressos com tinta acrílica sobre tela, uma descoberta para continuar pintando. Para o multiartista - humorista, escritor, diretor, produtor -, os desenhos fazem parte de seus dias, não há uma rotina, qualquer coisa pode ser um tema. Jô diz que a arte pop sempre foi uma influência em seu trabalho como artista. A paixão pelas histórias em quadrinhos, "pelos artistas marginais das HQs", pelo cinema, a música e o teatro são fonte direta para suas obras. Na exposição atual, estão duas obras mais antigas, uma de 1966 e outra de 1986, para o visitante ter um pouco de contato com a produção anterior. Nas telas recentes, a tinta está lisa, o fundo é predominantemente preto. Em outras, há repetição de objetos como lâmpadas, revólveres, torneiras, as lombadas de livros de sua biblioteca, e noutros, cenas que poderiam ser de um universo mais introspectivo: a luz que passa por alguém sentado em uma poltrona, pessoas em uma estação, por exemplo. Há, também, obras como cenas de filmes noir e referência ao tango. "Qualquer momento vira inspiração para uma obra, não há critério", diz Jô Soares. O visitante verá todas as telas ao som de jazz, uma música ambiental que terá, ao mesmo tempo, interferências que coincidem com as imagens exploradas nas obras - como o som de gotas d´água, em referência às torneiras. Jô Soares. MuBE. Av. Europa, 218, Jd. Europa, 3081-8611. 10h/19h (fecha 2.ª). Grátis. Até 24/7. Abertura hoje, às 19h, para convidados.

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