Jô Soares inaugura exposição de quadros no Rio

O humorista Jô Soares pinta desde a juventude, mas quase encerrou essa atividade em 1993, quando um acidente de moto roubou-lhe parte dos movimentos do braço direito. Há dois anos ele descobriu a digicromia (ou digigrafia), técnica em que o quadro é desenhado no computador, inclusive com as nuances de cor, e um borrifador de tinta acrílica (o giglê) leva a criação para a tela. Com isso, ele voltou às artes plásticas e inaugurou na quinta-feira, na Casa França Brasil, uma exposição com 45 quadros novos, pintados de 2004 para cá. "O prazer é o mesmo, usando pincéis ou o computador, pois o gostoso é criar ", diz Jô, que declara influências da cultura pop em geral e de pintores desse estilo, como Roy Lichtenstein e Robert Rauschenberg, mas não define sua própria escola. "Nem me preocupo. Cabe aos críticos identificar qual é o meu grupo. Faço o que gosto e espero que as pessoas se emocionem com meu trabalho."Do pincel para o computador, o tempo de realizar os quadros não diminuiu, nem a questão da criação. Segundo Jô Soares, o mais demorado é a elaboração do quadro, feita num pedaço de papel e depois escaneada para o computador. Na tela, ele acrescenta os detalhes, joga com cores e finaliza a obra. "Já tinha hábito de desenhar os personagens de meus livros no computador e a adaptação não foi complicada", diz ele. A única questão que ele quer resolver agora é como ampliar suas telas, como as que viu no Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA). "Aqui só temos o borrifador para telas de até 2,2 m por 1,7 m, pois é uma técnica muito cara ainda. Mas ainda chegaremos lá."Enquanto pinta, Jô joga nas outras posições. Humorista, ele faz shows fechados para convenções e prepara uma temporada no Rio, até o fim do ano, com Na Mira do Gordo. Dirigiu o drama shakespeariano Ricardo III, que lota o Teatro da Faap, e ainda apresenta, de segunda a sexta-feira, seu programa de entrevistas, na Rede Globo. "Esta é a minha prioridade e o que vem em segundo lugar varia de acordo com minha vontade", explica Jô. "Gosto de ser identificado como comediante e humorista, mas tenho enorme prazer de me apresentar com o Sexteto do Jô, dirigir teatro e de me apresentar em público. Ultimamente, tenho promovido leituras dramáticas de clássicos do teatro mundial, como A Visita da Velha Senhora (de Friedrich Durrenmatt), Marat-Sade (de Peter Weiss) e A Dama das Camélias (de Alexandre Dumas Filho) e também de autores brasileiros, como Machado de Assis e Nelson Rodrigues. Reunimos atores e lemos sem compromisso com montagens futuras, só como exercício."

Agencia Estado,

01 de setembro de 2006 | 12h32

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