Jô Soares faz sátira a filmes de suspense

Não é novidade que Jô Soares é um fã absoluto de cinema, especialmente das antigas produções ao estilo noir. E o apresentador, diretor, humorista, escritor e músico leva essa paixão ao palco, claro, pela via do humor. É dele a direção da comédia Atreva-se, que estreia hoje, no Teatro das Artes, no Shopping Eldorado, uma sátira aos velhos filmes de suspense em preto e branco. E isso vai dar a maior zorra.

IGOR GIANNASI, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2012 | 03h11

Explica-se: no elenco estão Marcos Veras e Mariana Santos, humoristas do programa Zorra Total. Completam o time as atrizes Júlia Rabello (mulher de Veras) e Carol Martin.

O convite de Jô para Veras - que ainda integrará o programa matutino da jornalista Fátima Bernardes, a partir da próxima semana - e Júlia surgiu após uma entrevista do casal no programa dele. A participação de Carol na atração também rendeu o chamado para se juntar à peça. Apenas Mariana ainda não havia sentado no sofá do apresentador, "problema" que, segundo Jô, seria resolvido esta semana.

Atreva-se surgiu de uma ideia que o autor Maurício Guilherme, de quem Jô já dirigiu O Eclipse, colocou no papel há 20 anos. Na gaveta por dez anos, ele só percebeu que tinha potencial de virar uma peça quando a amiga Luciana Sendyk leu, gostou e fez um primeiro tratamento do texto. Depois, ele mesmo fez algumas versões até chegar à atual, que brinca com os clichês do cinema noir, inclusive com a maneira pouco realista com que esses filmes costumavam ser dublados no País.

A trama se passa em uma mansão à venda, em 1963, negociada por um soturno corretor de imóveis a uma empolgada cliente. Durante a peça, a ação volta no tempo (para 1929) para focar os antigos moradores. Depois, avança aos anos 1940, para retomar à época inicial. O detalhe é que, na concepção do diretor, tudo é em preto e branco. Cenário, figurino e iluminação confluem para esse resultado.

"O trabalho difícil foi afinar o espetáculo para que tenha realmente aquele ritmo de corte de cinema. O tratamento é como se eu estivesse dirigindo um filme", afirma Jô.

Veras faz três papéis: o tal corretor, um cadeirante dissimulado e um galã metido a Clark Gable. Júlia também defende uma trinca (uma mulher misteriosa e elegante; outra fria e calculista; e a terceira, completamente louca). Carol interpreta a sinistra governanta da mansão e uma tenista sonhadora. Já Mariana faz uma policial e uma lanterninha que fica na plateia e conduz a história para o público - e é a única personagem "colorida".

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