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A escritora J.K. Rowling AP

J.K. Rowling recebe críticas por transfobia em ‘Troubled blood’

Novo livro de escritora, lançado nesta terça-feira no Reino Unido, gera polêmica

Camila Tuchlinski, O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2020 | 09h46

O livro que J.K. Rowling lança nesta terça-feira, 15, no Reino Unido, está sendo apontado como uma obra transfóbica. Em “Troubled blood”, a autora, da saga de Harry Potter, retrata a história de um assassino em série que se veste como mulher para matar mulheres cis. O caso é investigado pelo detetive Cormoran Strike, no quinto livro sob o pseudônimo de Robert Galbralth.

No fim do ano passado, a escritora gerou polêmica ao defender Maya Forstater, uma pesquisadora britânica que perdeu o emprego em uma instituição sem fins lucrativos após ter dito que transgêneros não poderiam mudar de sexo biológico. “Vista-se como quiser. Chame a si mesmo como quiser. Durma com qualquer adulto que consinta. Viva sua melhor vida em paz e segurança. Mas forçar mulheres a deixarem seus empregos por afirmarem que o sexo é real?",  escreveu J.K.Rowling na ocasião.

Com o lançamento do livro nesta terça, alguns críticos foram incisivos, como Jake Kerridge, em The Telegraph: “Me pergunto o que os críticos da posição de Rowling sobre questões trans vão achar de um livro cuja moral parece ser: nunca confie em um homem de saias”. Kelly Lawler, do USA Today, declarou: "A intensidade e crueldade das declarações de Rowling me chocaram. O debate sobre se é possível separar a arte do artista ressurge toda vez que uma celebridade faz ou diz algo errado".

Nas redes sociais, a hashtag #RIPJKRowling ficou entre os assuntos mais comentados no Twitter nesta segunda-feira, 14. No Brasil, os internautas ficaram decepcionados. “Eu admiro muito os fãs de Harry Potter. Eu jamais iria conseguir separar a obra da monstra criadora. Força, guerreiros”, escreveu um. “Sério, JKRowling? 'Nunca confie em um homem de vestido'? Ser transfóbica já é péssimo agora escrever um livro assim é fora do limite”, comentou outra.


Alguns internautas aproveitaram a oportunidade para questionar a autoria de Harry Potter, acreditando que a verdadeira escritora da obra é Emma Watson.

 

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Harry Potter completa 40 anos: veja obras que inspiraram o personagem

A escritora J.K. Rowling costuma afirmar que criou o personagem do zero em uma cafeteria ou viagem de trem, mas há muitos bruxos que influenciaram o surgimento de Harry Potter

André Cáceres, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2020 | 09h00

O bruxo Harry Potter completa 40 anos hoje. Não a franquia, cujos livros começaram a ser lançados em 1997, mas o personagem em si — na saga, ele nasceu em 31 de julho de 1980. Seu aniversário, aliás, é compartilhado com a sua criadora, J.K. Rowling. Para celebrar os 40 anos de um dos personagens mais famosos da cultura pop, conheça as principais inspirações de Harry Potter.

Rowling costuma dizer que criou seu universo fictício do nada às vezes em uma cafeteria, às vezes em uma viagem de trem. No entanto, as raízes de sua obra podem ser traçadas facilmente por meio de outros livros, filmes e quadrinhos sobre bruxaria. 

Uma das principais inspirações certamente foi Os Mundos de Crestomanci, série de sete livros publicados entre 1977 e 2006 por Diana Wynne Jones (1934-2011). Na trama, dois irmãos órfãos, Eric e Gwendolen Chant, descobrem ter poderes mágicos e partem em uma jornada para um castelo onde funciona uma escola de magia. 

Outros livros de Jones que também lidam com aspectos mágicos foram adaptados para o cinema por Hayao Miyazaki, do Studio Ghibli, em O Castelo Animado (2005), e em Earwig and the Witch, programado para 2020. Não seria a única escritora que influenciou J.K. Rowling a ganhar uma adaptação de Miyazaki. 

Em 2006, o estúdio japonês produziu Contos de Terramar, animação baseada na obra de fantasia de Ursula Le Guin (1929-2018), uma das mais importantes escritoras do gênero. Na obra, um mago experiente e um jovem príncipe se unem para combater uma sombra que está desequilibrando esse mundo mágico. A saga é composta por seis livros lançados entre 1968 e 2001.

Os Livros da Magia, quadrinho de 1990 escrito por Neil Gaiman — autor de, entre outras obras, Deuses Americanos e Coraline — tem como protagonista Timothy Hunter, um menino bruxo cujas feições são assombrosamente semelhantes a Harry Potter, incluindo seus óculos e sua coruja. Embora os enredos não sejam parecidos — em vez de uma escola de magia, Timothy se aventura por viagens no tempo e por outras dimensões —, Gaiman já foi perguntado muitas vezes sobre as coincidências entre os personagens, e sempre disse serem apenas coincidências.

A ideia de uma escola de magia já era bastante difundida na literatura fantástica na época em que Rowling lançou Harry Potter e a Pedra Filosofal. O conceito já havia sido trabalhado em Wizard’s Hall (1991), da americana Jane Yolen, na série de fantasia satírica Discworld (1983-2015), de Terry Pratchett, em A Escola de Magia e Outras Histórias, de Michael Ende e em The Worst Witch, série de oito livros (1974-2018) da britânica Jill Murphy.

Diferente de Gaiman, Le Guin e outros autores, Jill Murphy já externou sua insatisfação com as semelhanças entre sua obra e a de Rowling. The Worst Witch trata de Mildred Hubble, uma garota bruxa em uma escola de magia que é a pior aluna de sua classe e vai aprimorando suas habilidades mágicas. Os livros foram adaptados em um telefilme da HBO em 1986 e ganharam duas séries de TV na Inglaterra, uma entre 1998 e 2001 e a outra, ainda no ar, desde 2017. 

Apesar das queixas, Murphy nunca foi à justiça, como fez a família do escritor britânico Adrian Jacobs, que chegou a processar Rowling pelas semelhanças de Harry Potter com o livro infantil The Adventures of Willy the Wizard: Livid Land No. 1. Na obra, há uma disputa mágica bastante semelhante ao torneio tribruxo disputado no quarto livro da saga Harry Potter. Apesar disso, Rowling venceu nos tribunais. Foi o mesmo destino jurídico de sua contenda com a escritora americana Nancy Kathleen Stouffer, autora de livros infantis de 1984 que traziam como personagem o garoto Larry Potter. 

No aniversário de 40 anos de Harry Potter, é possível perceber que seus pais vão muito além de Tiago e Lily Potter. J.K. Rowling se inspirou em diversos universos para compor o seu, mas o bruxinho com varinha, óculos, coruja e cicatriz permanece único para seus fãs. 

 

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Internautas acusam J.K. Rowling de transfobia por conta de tuíte

Escritora de ‘Harry Potter’ se posicionou em polêmica envolvendo pesquisadora Maya Forstater no Reino Unido

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2019 | 19h34

J.K. Rowling causou polêmica nesta quinta-feira, 19, por defender Maya Forstater, uma pesquisadora britânica que perdeu o emprego em uma instituição sem fins lucrativos após ter dito que transgêneros não poderiam mudar de sexo biológico.

Um dos tuítes feitos por Maya Forstater que originou a repercussão trazia: "O que me surpreende é que pessoas inteligentes a quem admiro, que são absolutamente pró ciência em outras áreas e campeões de direitos humanos e direitos das mulheres estão esquivando de dizer a verdade, que homens não podem se tornar mulheres (porque isso poderia ferir os sentimentos dos homens)".

A funcionária não aceitou a demissão e foi à justiça britânica pedir a renovação do contrato, o que foi recusado pelo juiz. O caso ganhou repercussão na Inglaterra, e a criadora de Harry Potter decidiu se manifestar a favor de Maya. 

"Vista-se como quiser. Chame a si mesmo como quiser. Durma com qualquer adulto que consinta. Viva sua melhor vida em paz e segurança. Mas forçar mulheres a deixarem seus empregos por afirmarem que o sexo é real?",  escreveu no Twitter.

Algumas pessoas concordaram com a escritora, enquanto outras acusaram J.K. Rowling de transfobia.

Um dos comentários que mais repercutiu contra o pensamento da escritora foi de uma mulher trans que lia os livros de Harry Potter desde criança como uma fuga. 

"Eu costumava escolher nomes de personagens para dar a mim mesma antes de me sentir confortável em assumir quem eu era. Sua decisão, de apoiar pessoas que me odeiam e querem me fazer mal, me leva às lágrimas", disse.

VEJA TAMBÉM: 19 revelações de Harry Potter feitas após o fim da série

 

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