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Jennifer Lawrence, beleza que rima com talento

Em seu primeiro teste para protagonizar Inverno da Alma, em Los Angeles, Jennifer Lawrence foi rejeitada por ser "bonita demais". Quando soube que a diretora Debra Granik receberia em Nova York mais candidatas ao papel da jovem grosseira, criada nas montanhas do Missouri, a atriz pegou o primeiro avião para a Costa Leste. "Por sorte, viajei num voo noturno, o que me deu automaticamente uma aparência cansada. Ainda me apresentei sem maquiagem e com os cabelos sujos e desgrenhados para ficar o mais feia possível."

Elaine Guerini, O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2011 | 00h00

O esforço valeu a pena, garantindo a Jennifer não só o papel de Ree Dolly como uma indicação para o Globo de Ouro de melhor atriz dramática. Madura para os seus 20 anos (18, quando rodou o filme), ela dá profundidade ao retrato da adolescente embrutecida de Inverno da Alma - que estreia no Brasil na sexta.

Com a doença da mãe e o sumiço do pai, um traficante de drogas, Ree Dolly toma para si as rédeas da família, passando a cuidar dos irmãos menores. E, se não quiser perder a casa, ela precisa atravessar as montanhas geladas e achar o pai, que penhorou o imóvel, antes de desaparecer.

"Foi um alívio encontrar um papel complexo para uma garota da minha idade. Os filmes oferecidos às atrizes loiras e jovens costumam ser muito idiotas", afirmou Jennifer, muito elogiada pela performance desde a première mundial de Inverno da Alma, em Sundance, no ano passado. A produção com orçamento de apenas US$ 2 milhões já saiu de Park City (Utah) com dois prêmios: filme americano de ficção e roteiro.

E a vida de Jennifer nunca mais foi a mesma. Desde então a atriz nascida em Louisville, Kentucky, não para de receber ofertas de Hollywood. Ela já está comprometida com três produções inéditas: a comédia The Beaver, com direção de Jodie Foster, o filme de terror House at the End of the Street e X-Men: First Class, no papel de Mystique. A princípio, ela recusou interpretar a mutante nua (com o corpo coberto apenas por escamas azuis), mas acabou cedendo após mudanças feitas no roteiro.

Até Inverno da Alma, Jennifer era mais conhecida por Vidas Que Se Cruzam, de Guillermo Arriaga, em que viveu a versão adolescente de Charlize Theron. Por esse desempenho, ela conquistou o prêmio Marcello Mastroianni (para novos talentos) no Festival de Veneza, em 2008. "O curioso é que não me sinto tão jovem. Prefiro me cercar de pessoas mais maduras. Não tenho assunto com meninas da minha idade. Elas são muito superficiais", contou, rindo.

O que mais impressionou Jennifer na protagonista de Inverno da Alma foi justamente a "força de caráter, tenacidade e responsabilidade" de Ree Dolly, qualidades com as quais se identificou.

"Resolvi testar Jennifer novamente ao vê-la desembarcar em Nova York, pedindo nova chance", contou a diretora, que rodou o filme em locação, na região das montanhas Ozark.

"Enfrentar aquele frio foi a parte mais difícil de todo o processo", lembrou Jennifer. Ela e toda a equipe do filme passaram seis semanas na cordilheira. "Quando os termômetros marcaram 20 graus abaixo de zero, deu vontade de ligar para a minha mãe, chorando", brincou.

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