Jean Nouvel ganha Prêmio Pritzker, o principal da arquitetura

'A missão do arquiteto é transcrever os grandes movimentos da sociedade numa linguagem poética', diz Nouvel

Jotabê Medeiros, de O Estado de S. Paulo,

31 de março de 2008 | 15h29

Jean Nouvel, o arquiteto francês de 62 anos que ganhou o Pritzker 2008 (a mais destacada premiação da arquitetura) neste final de semana, não é homem de pequenas obras. Seu projeto recente mais "modesto" é a iminente instalação de uma filial do Museu do Louvre em Abu Dabi, nosEmirados Árabes, uma obra de US$ 525 milhões (R$917 milhões).   Entre 2002 e 2003, ele veio algumas vezes ao Brasil para chancelar mais um desses projetos grandiosos: a instalação de uma franquia do Museu Guggenheim no Rio de Janeiro, no Píer da Praça Mauá, ao modesto custo de US$ 130 milhões (R$227 milhões).  Esse projeto naufragou depois que o prefeito do Rio, César Maia, tirou o corpo, os ambientalistas fizeram protestos e a empresa Brasil Connects, que tutelava o programa, saiu da jogada (para essa empresa, Nouvel fez a cenografia da mostra Brasil Barroco no Guggenheim de Nova York).   A fama de Nouvel é hoje tão grande quanto seu apetite para as mega intervenções urbanas. Essa reputação começou em  1987, quando ele projetou em Paris a sede do Instituto do Mundo Árabe - no qual empregou alta tecnologia, mas respeitou a tradição e cultura muçulmanas.   No mesmo ano, fez um conjunto de residências em Nîmes, defendendo a idéia de que "bela habitação é grande habitação". Consolidou sua reputação com obras como a Fundação Cartier, a Ópera de Lyon e o Centro Cultural de Lucerna, Suíça. Em 2000, levou o Leão de Ouro da Bienal de Arquitetura de Veneza.   É o segundo francês a ganhar o Pritzker - o primeiro foi Christian de Portzamparc, em 1994. Neste fim de semana, Nouvel deixou mensagem no seu site, comentando seu projeto Horizons, em Boulogne-Billancourt: "O papel do arquiteto no seio da sociedade é atuar como um intérprete dos seus grandes movimentos, ouvindo suas tendências, suas mutações históricas, culturais, sociais e ambientais, a missão do arquiteto é transcrever isso numa linguagem poética."

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