J.C. Serroni em livro e exposição sobre cenografia

O cenógrafo José Carlos Serroni (J.C. para a maioria das pessoas) está revendo sua carreira e o saldo é positivo. Em dezembro, ele lança o livro Os Teatros do Brasil, um mapeamento das casas de espetáculo do País (mais de mil, segundo ele), com destaque para os cem trabalhos que considera mais importantes. Ainda este mês, estará no livro Stage Design, em que o Royal National Theatre da Inglaterra cita os 12 melhores profissionais da década de 90, e amanhã ele inaugura, no espaço cultural do Banco Nacional de Desesenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a exposição Por dentro da Cenografia, com um resumo de seus melhores trabalhos e um histórico dessa arte complementar ao teatro."Minha intenção é levar o público a descobrir o que é e como se faz um cenário de teatro. Quem for à mostra vai entrar no ateliê do artista, acompanhar seu processo de criação, da pesquisa e dos primeiros desenhos até a confecção das maquetes e montagem do palco", adianta Serroni. "Quero que as pessoas sintam a mesma sensação dos atores durante o espetáculo, dentro do cenário, com a música e a luz do teatro. A própria entrada da exposição é uma boca de cena, onde o visitante será recebido por bonecos que os convidam a entrar."Se ficasse só em sua história profissional, Serroni já teria muito a contar. Ele tem 25 anos de profissão e 81 trabalhos em seu currículo, todos marcantes para os espetáculos de que fizeram parte. "Cenografia é arte cênica, nunca plástica. Um cenário existe em função da peça para a qual foi concebido, seguindo as exigências do que se realiza no palco", ensina. Ele prefere espetáculos que fujam ao realismo, com muita pesquisa para atender às exigências do texto. "Em um cenário como o de Alta Sociedade, da Fernanda Montenegro, é só colocar os objetos em cena. Já o de Rei Lear, cheio de simbologias e abstrações, é mais complexo e me agrada mais fazer."Os cariocas podem conferir os dois estilos. Alta Sociedade está em temporada na cidade e Rei Lear, superprodução de Raul Cortez, estréia quinta-feira no Rio, após carreira vitoriosa em São Paulo. Serroni vai mostrar também outros trabalhos feitos no Brasil e no exterior. Haverá maquetes, projetos e o cenário de Ópera dos Três Vinténs, Ópera do Malandro, Trono de Sangue, Drácula, Gilgamesh, Toda Nudez Será Castigada (montagem de Caracas, na Venezuela), Os Saltimbancos e Paraíso Zona Norte. "Este último é o preferido do público", conta ele. "É um espetáculo de 1987, dirigido pelo Antunes Filho, sobre dois textos de Nélson Rodrigues, e até hoje todo mundo fala dele."Serroni expõe também trabalhos de outros cenógrafos, como Santa Rosa e Gianni Ratto, dá uma aula de arquitetura teatral, com 15 maquetes dos diversos tipos de teatro e a evolução da cenografia da Grécia antiga aos dias de hoje. Ele lembra que, no Brasil, essa arte também tem uma história, embora hoje faltem técnicos que realizem as idéias dos cenógrafos. "Há poucos e nenhuma escola que os forme. No País, temos muita criatividade e pouca tecnologia", filosofa Serroni. Mas ele vê vantagens nesse situação. "No exterior, onde a capacidade técnica é muito grande, é tudo tão matemático que a criação fica inibida. O ideal seria somar nossa criatividade e o apuro técnico deles."Por dentro da Cenografia fica no BNDES até 8 de junho. Quem visitar a exposição, vai também dar sua opinião sobre o ofício de J.C. Serroni. "Na saída, há cartões em que as pessoas poderão dar sua opinião e, principalmente, dizer o que entendem por cenografia, qual a sua função no teatro", avisa ele. "Vamos ver o que o público pensa dessa atividade."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.