Jazz no quintal de Ari Borger

Quarteto AB4, liderado pelo pianista, lança o terceiro CD

Lauro Lisboa Garcia, O Estado de S.Paulo

14 de maio de 2010 | 00h00

O jazz do pianista e tecladista Ari Borger está mais "brasileiro" no terceiro álbum, Backyard Jam (GRV), o segundo com seu quarteto, o AB4, que tem show de lançamento hoje no Teatro do Sesc Pompeia. Com o mercado limitado para esse tipo de música refinada no Brasil, o grupo há muito almeja os festivais internacionais. "Só nos falta um produtor que tenha conexões lá fora, material nós temos", diz Borger.

Não foi por isso, no entanto, que colocou um molho mais brasuca no novo trabalho. "É porque eu queria mesmo." Os indícios já aparecem nos títulos de dois temas, Baião Psicodélico (com vocal do repentista Evanildo Pereira) e Partido Alto, com evidente approach com o samba, gênero que também colore Jimmy no Morro, misto com funk, em que Borger imagina como o tecladista Jimmy Smith, uma de suas referências, soaria se "tivesse chegado numa favela do Rio".

A única faixa não autoral é Norgewian Wood (Lennon/McCartney), em que ele também dá um toque nacionalista, cria harmonias diferentes e faz a bela melodia viajar solta livre de convenções. "A gente quis desconstruí-la um pouco, aquela introdução de piano remete um pouco ao Brasil, meio Egberto, meio Hermeto", diz. "O piano e o slide da guitarra em uníssono dão uma ideia de cítara indiana."

Decorrência do ótimo álbum homônimo lançado em 2008, o quarteto está mais entrosado e o CD tem mais improvisos e participação de cada músico - Celso Salim (guitarra e violão), Humberto Zigler (bateria e percussão) e Marcos Klis (baixo acústico e elétrico) na criação dos arranjos, embora a maioria parta do band leader.

É mesmo uma jam session (levada ao extremo no baião, que foi gravada sem ensaio, totalmente de improviso), em clima de festa no quintal de casa, onde a pré-produção teve início. O álbum foi todo gravado ao vivo em estúdio e Borger, cada vez mais afiado, privilegia o órgão Fender Rhodes, mais do que o Hammond e o piano, fazendo uma frenética mescla de jazz, blues, funk, ritmos brasileiros e um boogie woogie surpresa, oculto na última faixa.

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