Jason Moran, na rua de Lloyd

Pianista diz que acompanhar mestre do saxofone é que o prepara para ser um bandleader melhor

JOTABÊ MEDEIROS, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2012 | 03h10

Ele transforma rap (Planet Rock, de Afrika Bambaataa) e música erudita (Auf einer Burg, de Schumann) em standard de jazz. Ele explora a tensão entre territórios que parecem inimigos. Ele carrega a reputação de ser um dos monstros do piano da nova geração. Mas, ainda assim, o que Jason Moran, de 37 anos, mais quer é aprender.

"Tocar com Charles Lloyd me torna um músico melhor, me prepara para ser um líder em minha própria banda", disse Moran ao Estado. "É uma responsabilidade maior você ser bandleader. É quando você tenta fazer o som mais excitante. Quando estou com Charles, é ele quem nos dá a direção, ele quem manda virar na esquina, que nos abre a avenida onde a gente possa dirigir sozinho."

Moran acompanha Charles Lloyd há cinco anos (Eric Harland o acompanha há dez anos, e Reuben Rogers está há sete em sua companhia). Muita gente vai ao BMW Jazz Festival, no domingo, 10 de junho (no Via Funchal, a partir das 20h30) somente para ouvir o piano de Moran, um prodígio. "Acho que toda a arte, seja ela música, poesia, dança, pintura, escultura, toda ela tem condições de oferecer à audiência algo que possa fazê-la se sentir melhor ou pior. Isso pode acontecer em 5 anos ou 5 dias. O problema é que não sabemos como afetamos as pessoas, mas essa é a beleza da coisa. O mais importante é a música", diz Moran.

Um dos seus discos mais experimentais é o recente Artist in Residence, no qual tem como parceira a mulher, a cantora Alicia. É um leque admirável de gêneros, que vai do hip-hop à música lírica. "Duke Ellington foi um inovador, mas tocava a música do seu tempo. Tchaikovsky foi um inovador, mas também tocava a música do seu tempo. Os tempos estão mudando, não estamos mais nem na época de Duke Ellington nem na de Tchaikovsky, então temos de ouvir os sons de nossa própria época", ele explica.

"Ouço a música do mundo todo, a música do rádio e o som da cidade. Não é só a música que mantém minhas orelhas abertas, mas as histórias, as pessoas. Como num romance ou na pintura, a arte se forma pela observação do mundo. O trabalho consiste em como usar esse material, como transformá-lo em formas conceituais."

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