Japan Rock Show

Os saudosistas chamariam eles de "novos White Stripes". Bobagem. Os Japandroids merecem mais

ROBERTO NASCIMENTO, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2012 | 03h08

O rock morreu. Vida longa ao rock. Eis o lema que tem resumido o gênero ultimamente. No panorama independente, as guitarras, a distorção e o balanço cru deixaram de ser unanimidade para dividir espaço com vertentes de pop sintético, de hip hop e de música eletrônica, ao passo que o rock como conhecemos - aquele que há menos de uma década ainda chacoalhava a Billboard - caminha para ser apenas mais um nicho entre diversos no vasto oceano da música alternativa. Tendo isso em mente, e evitando rótulos sensacionalistas do tipo "o novo Strokes" ou "o novo Arctic Monkeys", podemos nos animar quando surgem bandas novas que, fossem dez anos mais jovens, teriam feito um sucesso muito maior. É o caso do duo canadense Japandroids, (o "novo White Stripes", diriam os saudosistas), que tocou em São Paulo ainda este ano e acaba de lançar o ótimo Celebration Rock, segundo disco, que chegou ao Brasil recentemente pela Deckdisc.

Rock de garagem com grandiosidade de arena dá o tom em Celebration Rock, nostálgico e vibrante ao mesmo tempo. Seu saudosismo funciona de forma curiosa: em vez de vasculhar algum canto obscuro de nossa memória musical, os Japandroids almejam o populismo, compondo e tocando como se estivessem sendo laureados pela glória de uma arena. Amparadas apenas por guitarra e bateria, as melodias voam alto. Mostram que até um olhar retrô sobre melodias de arranha céu, feitas para tocar no rádio e fazer vibrar as massas, pode funcionar. O Estado conversou com o guitarrista e compositor Brian King sobre o novo disco e o sucesso dos Japandroids:

Como vocês se conheceram?

Nos conhecemos na faculdade, no início da década. Dave (Prowse) era vizinho de um amigo. Tínhamos gostos semelhantes, começamos a ir a shows das bandas que gostávamos. Quando terminamos a faculdade decidimos formar uma banda.

E o que tocavam?

Uma mistura de indie, rock de garagem e punk. Gostávamos de rock intenso. Ouvíamos de tudo: The Sonics, Murder City Devils, Constantines, Stooges, Stones, Pixies, Nirvana...

O fato de vocês serem um duo gera comparações com o White Stripes. Era esse o intuito inicial dos Japandroids?

Não. No início queríamos ser um trio como os Yeah Yeah Yeahs. Queríamos mais uma guitarra e mais uma voz, mas não encontramos ninguém. Começamos a fazer sucesso e já engatamos uma turnê.

O sucesso de vocês foi repentino. Como se deu?

Quando terminamos Post-Nothing, o primeiro disco, estávamos na mesma posição de quando tínhamos formado o duo. Não tínhamos uma gravadora, nunca havíamos feito turnês, ninguém estava muito preocupado com a gente (risos). Ainda tínhamos empregos durante o dia, tocávamos nos mesmos lugares para as mesmas pessoas. Era legal, mas depois de uma hora você fica desanimado. Pensamos que o projeto já tinha dado o que tinha de dar. Tinha sido uma boa primeira banda e devíamos seguir nossos caminhos individuais. Lançamos o disco como uma forma de encerrar o nosso projeto. Era última coisa que faríamos. Foi então que uma pequena gravadora canadense se interessou por nosso trabalho, o site Pitchfork nos deu uma força e começamos a fazer turnês. Foi a primeira vez que alguém nos ajudou.

E quando mudou o som dos Japandroids desde o início?

A banda melhorou muito do primeiro EP até o primeiro disco. No primeiro EP, ainda compúnhamos de uma forma bem precária. Melhoramos no segundo EP, no primeiro disco e agora no novo disco. Sempre tentamos refinar a música.

E como chegaram ao novo

álbum?

Fizemos turnê por três anos. Foi um barato, mas fizemos 200 shows em um ano, ou algo assim. Chega uma hora que você cansa de tocar as mesmas músicas e o público cansa de ouvi-las. Então paramos de viajar, alugamos uma casa em Nashville e terminamos o disco em um mês.

É mais fácil

fazer música

agora?

É o oposto. Temos muito mais confiança nas nossas composições agora. Mas é mais difícil fazer uma música. Criamos mais expectativa. Naquela época, se soasse bacana, ou remotamente como o som de uma banda que ouvíamos, ficávamos satisfeitos. Agora é mais difícil. Temos que compor algo que soe como os Japandroids.

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