Jane Austen, a autora de Orgulho e Preconceito

Nem Shakespeare, nem Proust - a devoção à obra da escritora inglesa Jane Austen (1775-1817) ultrapassa limites no mundo literário, derrubando verdadeiros pesos pesados. Identificados como "janeistas", os fãs admiram a economia de seu texto que, com algumas frases secas, resume a biografia de um personagem. A autora de Orgulho e Preconceito é, de fato, um nome fundamental - ao romance inglês do século 18, ela reuniu duas características básicas: a psicológica e o retrato das relações sociais objetivas, compondo uma nova arte. Pouco se sabe sobre a personalidade de Jane. Ela morreu com 42 anos e com seis romances escritos. Sua irmã, Cassandra, destruiu cartas e papéis que revelavam detalhes de sua intimidade para evitar o assédio de biógrafos e ensaístas. Isso porque o prestígio da escritora logo tomou proporções impressionantes, criando uma legião de admiradores fanáticos. O poder de persuasão está no talento de cativar o leitor. Todos os romances de Jane são recheados de festas, visitas, passeios e piqueniques, rotina da aristocracia e da alta classe média da Inglaterra de então. Engana-se, porém, quem aposta em uma sucessão de cenas sobre futilidades - Jane constrói cenas perfeitas, em que o suspense se esconde na conversa banal de uma sessão de chá. Fiel observadora dos detalhes externos que cercam os personagens, a escritora construiu cenas memoráveis, em que o destino de um casal, por exemplo, é resolvido durante um encontro em um corredor atravessado por incontáveis criados. Também se tornaram referência os retratos de suas heroínas, pioneiros da moderna ficção mundial. Mulheres com comportamento à frente de seu tempo, com inteligência e comportamento distintos da maioria. Elizabeth Bennet, aliás, personagem principal de Orgulho e Preconceito e que muitos confundem com a própria escritora, é um dos melhores exemplos de suas heroínas. Como bem observou o filósofo Aladair MacIntyre, "Jane Austen é a última representante da tradição clássica (grega e cristã) das virtudes". Ou seja, ela encontrou o tom apropriado para falar dos conflitos e mudanças sofridos pelos seus personagens. Com isso, atraiu também a atenção de roteiristas e diretores de cinema, fiéis adaptadores de sua obra. Além de Orgulho e Preconceito, chegou às telas grandes a versão de Razão e Sensibilidade, com direção de Ang Lee e com Emma Thompson no papel. Também Persuasão foi adaptado e Emma recebeu uma versão atualizada em As Patricinhas de Beverly Hills, uma deliciosa comédia sobre a geração shopping center.

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