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James Bond: o espião que amamos

Do nome, inspirado em um ornitólogo americano, às aventuras improváveis, (quase) tudo foi baseado na vida real

REPORTAGEM: FERNANDO , OTTO, GUSTAVO FOSTER, VICTOR , VIEIRA, FLAVIA GUERRA, INFOGRÁFICO: CAROL CAVALEIRO , ILUSTRAÇÕES: FARRELL, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2012 | 03h09

Quando James Bond, o personagem, nasceu, um outro James Bond real já existia - e era bastante reconhecido em sua área de expertise: pássaros. Conforme contou o escritor Ian Fleming certa vez à revista The New Yorker, o personagem ganhou o "nome mais maçante que existia", o de um ornitólogo americano, especialista em pássaros caribenhos e autor de um referencial guia de campo: Birds of the West Indies. Este era, a propósito, o livro preferido de sua mulher, Ann Charteris.

É provável que, ao fazer a escolha, Fleming jamais tenha imaginado que Sean Connery transformaria o nome em um dos maiores bordões que o cinema já produziu, "Bond, James Bond", criado em 1953, depois de décadas de intenção de escrever um livro de espionagem baseado em suas experiências e observações. A saga rendeu bilhões. Cassino Royale, de 2006, por exemplo, é a 72.ª maior bilheteria da história e arrecadou US$ 594 milhões somente nos cinemas. Já 007 - Quantum of Solace, de 2008, é a 76.ª e faturou US$ 586 milhões.

Todos os 12 livros foram escritos em Goldeneye, a lendária casa que Fleming comprou na Jamaica após ser dispensado da inteligência da Marinha inglesa. Para isso, tirava férias anuais de três meses, durante o inverno, garantidas por contrato pelo grupo Kemsley, que editava o jornal The Sunday Times, no qual coordenava a equipe de correspondentes internacionais.

Fleming integrou a equipe do jornal em tempo integral até dezembro de 1959, mas se manteve ativo, participando de reuniões e assinando artigos até 1961.

Assim como o nome do protagonista, a grande maioria de suas características foi inspirada ou no próprio autor (como o apreço pelo golfe e a marca de produtos de perfumaria que Bond usava) e em seu irmão, Peter, que serviu na Grenadier Guards durante a guerra e, após o conflito, sob o comando de Colin Gubbins, ajudou a estabelecer as Unidades Auxiliares e integrou operações na Grécia e Noruega, além de outros integrantes da Divisão de Inteligência Naval ao longo da Segunda Guerra Mundial.

A inspiração para criar as histórias também vinha de acontecimentos que o escritor presenciou ou dos quais tomou conhecimento enquanto estava na ativa. Em From Russia, With Love (Moscou Contra 007), por exemplo, a trama dos espiões viajando a bordo do Expresso do Oriente foi inspirada na aventura de Eugene Karp, adido da Marinha dos EUA e agente de inteligência baseado em Budapeste que, em fevereiro de 1950, embarcou no trem de Budapeste para Paris portando documentos obtidos por agentes americanos no Leste europeu.

Contrariando algumas opiniões que o desencorajaram a lançar suas histórias, as cinco primeiras aventuras de Bond foram grandes sucessos de público e crítica. O mesmo não se repetiu com as tramas seguintes, que sofreram duras críticas da imprensa. Mesmo assim, sua obra continuou sucesso de público e ainda hoje vende milhões.

Nova aventura. 007 - Operação Skyfall, que chega às telas de todo o mundo no dia 26 de outubro, será o primeiro filme da série a ser lançado no formato Imax. A trama estrelada por Daniel Craig traz, desta vez, o espião às voltas com uma operação malsucedida em Istambul. Após o incidente, 007 desaparece e as identidades de todos os agentes infiltrados do MI6 vazam na internet; como resultado, M (Judi Dench, a chefe do MI6) entra na mira do governo e se torna alvo de uma investigação. Quando a agência é atacada, a volta repentina de Bond dá a M um pretexto para caçar Raoul Silva, o vilão da vez (interpretado pelo espanhol Javier Bardem), homem perigoso que garante que tem uma conexão pessoal com os dois.

Enquanto Bond segue uma pista de Londres até o Mar da China Meridional, sua lealdade a M é posta à prova quando ele descobre perturbadores segredos do passado de sua líder. O elenco conta ainda com Ralph Fiennes no papel de Gareth Mallory, o presidente do Comitê de Inteligência e Segurança do Reino Unido.

Como também é tradição, o tema do novo longa foi gravado por um grande nome da música. Desta vez, a missão ficou a cargo da inglesa Adele e se chama Let the Sky Fall (Deixe o seu céu desabar) e a trilha sonora, gravada nos estúdios de Abbey Road, é de Thomas Newman.

A mais nova Bond Girl será a francesa Bérénice Marlohe, que interpreta a misteriosa Severine. Esta é a estreia no cinema da atriz, que, para conseguir o papel, não poupou esforços para contatar todos que descobria que tinham alguma ligação com o filme até encontrar a produtora de elenco, que a indicou para o diretor Sam Mendes e Craig.

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