Jagger, a gênese do gênio

Uma vida de bela intuição, confusão, erros e rasteiras nos velhos amigos

JOTABÊ MEDEIROS, O Estado de S.Paulo

09 Julho 2012 | 03h06

Mais um ensaio do que uma biografia de verdade, Jagger - A Biografia, de Marc Spitz, procura definir criticamente quais foram as diversas inserções de Mick Jagger e os Rolling Stones em seu tempo. Isso inclui até a recente fama de "pé-frio" que Jagger adquiriu durante a Copa do Mundo da África. Nada passa batido, mas não há uma tentativa de empilhar todos os fatos de sua vida.

Dono de uma fortuna hoje estimada em 200 milhões de libras esterlinas, Jagger construiu seu lugar no Olimpo do pop com carisma, talento, mas também com inegável faro para os negócios. Sua temeridade também ajudou a fazer com que os Stones deixassem de lado uma estrada de plácida segurança no mundo do rock'n'roll para iniciar sua reputação no "lado negro da força".

Segundo o autor, o momento-chave dessa transformação foi durante a turnê T.a.m.i. Show, em 1964, quando os Stones se juntaram aos Beach Boys, Chuck Berry, Lesley Gore, The Supremes, Gerry and the Pacemakers e James Brown, entre outros. O autor conversou com aquele que foi o diretor do espetáculo na época, Steve Binder, e este lhe contou que os Stones quase cometeram suicídio artístico ao toparem participar do show tentando seguir os passos e a teatralidade de James Brown. "Ninguém segue James Brown", disse o próprio.

Mas os Stones persistiram, e embora parecessem amuados após sua perseguição inútil ao jogo de cintura de Brown, houve uma revelação na cabeça de Mick Jagger. "Você pode vê-lo experimentando com seu próprio corpo", escreve Spitz. "Ali, talvez, o Mick Jagger de 1969 nascia de verdade."

Os episódios do livro são amplamente conhecidos, como a contratação dos Hell's Angels para a segurança do seu show americano em Altamont, que terminou com uma tragédia. "Mick, além de tudo, recusou qualquer intervenção da polícia para escolta pelo medo de ser visto na companhia da polícia local (ainda vista como 'porcos' pela contracultura)."

Esse carma de Mick Jagger perpassa todas as histórias dos Stones: as boas decisões são de todos, as más decisões sempre são dele. Mesmo as mulheres. Bianca Jagger, por exemplo. "Bianca era... o que ela era exatamente? Uma mulher muito bonita com pele de caramelo, cabelos negros, olhos pretos, um peito glamouroso, um ar superior de alcova? A mídia que a criara a adorava, mas todo o resto do mundo nutria por ela ressentimento, ciúme, inveja", escreve o autor.

Seu apetite sexual é rastreado por Spitz. Entre os amigos músicos, sua fama sempre foi de "perigoso". Roubou a groupie Pamela des Barres de Jimmy Page, passeando pela frente do Whiskey a Go Go para que todos os vissem juntos. Nos anos 70, a imprensa noticiou que ele tinha "feito" Margaret Trudeau, a mulher do então primeiro- ministro do Canadá Pierre Trudeau. Nos anos 1980, tirou a então modelo Carla Bruni da cama de Eric Clapton e levou para a sua. Em sua autobiografia, Clapton conta que chegou a pedir: "Por favor, não essa aqui. Acho que estou apaixonado."

Seu mais longo caso marital também começou com uma rasteira em um amigo. Ele tirou a modelo Jerry Hall do colega Bryan Ferry, "o mais estiloso e de bom gosto cavalheiro do rock", segundo o autor. Keith contou que ele também dormiu com uma namorada de Brian Jones nos anos 1960. "Mick ficou bêbado uma noite e foi visitar Brian, achando que ele não estava lá, e ficou com sua mina", lembra. "Aquilo causou um abalo sísmico. Chateou Brian terrivelmente."

Em 1981, quando Mick Jagger cantou, em Waiting on a Friend, a frase "fazer amor e quebrar corações, isso é um jogo da juventude", alguém poderia pensar que ele estava se aposentando. Mas continuava na caçada - dizem que Angelina Jolie foi um dos alvos.

Quanto à música? Está por ali, entre uma história e outra. E tudo começou em março de 1958, quando Mick foi a um show de Buddy Holly acompanhado de seu colega de escola Dick Taylor. Foi sua primeira grande aventura no mundo da música.

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