Daniel Teixeira/AE
Daniel Teixeira/AE

Jabuti cria mais áreas e terá menos vencedores

Mudanças anunciadas hoje abrem margem para inscrição de quadrinhos

Raquel Cozer,

22 de março de 2011 | 15h47

Na 53.ª edição do Prêmio Jabuti, cujas inscrições começam na quarta-feira, apenas o primeiro colocado em cada categoria será laureado e poderá concorrer, posteriormente, a uma das duas categorias principais da honraria, as de livro do ano de ficção e livro do ano de não ficção. Até o ano passado, os três primeiros colocados de cada categoria recebiam troféus da Câmara Brasileira do Livro (CBL) e podiam concorrer nas duas categorias principais.

Além disso, o número total de categorias passa de 21 para 29, com a inclusão de três áreas – ilustração, gastronomia e turismo e hotelaria – e o desmembramento de outras quatro já existentes. Com essa última alteração, a categoria educação, psicologia e psiquiatria, por exemplo, divide-se em duas, uma voltada só a livros de educação e outra a obras de psicologia e psiquiatria.

Anunciadas nesta terça-feira como “as mudanças mais significativas da premiação em 53 edições”, as novidades dão margem a um aspecto para o qual nem o curador José Luiz Goldfarb nem a Comissão do Prêmio Jabuti 2011 haviam atentado: pelo regulamento, a categoria ilustração (“ilustrações de caráter técnico, científico ou artístico de obras gerais”) permite a inscrição de livros de histórias em quadrinhos. Até 2010, só havia categoria de ilustração específica para livro infantil e juvenil – em 2008, Gabriel Bá e Fábio Moon levaram o Jabuti pela adaptação em HQ de O Alienista, mas como álbum didático paradidático.

Questionado pelo Estado ao fim de entrevista coletiva sobre a possibilidade da inscrição de HQs, Goldfarb reagiu com surpresa. “Não havíamos pensado nisso. Acho ótima ideia, mas criamos a categoria pensando mais em ilustrações de obras científicas, por exemplo”, disse, antes de consultar a nova presidente da CBL, Karine Pansa, e membros da comissão, e voltar com a dúvida: “Eles também se surpreenderam. A princípio, ninguém é contra. Poderemos dar resposta mais precisa antes do início das inscrições, amanhã.”

Considerado o crescimento do mercado de HQs no País na última década, com o surgimento de selos e o investimento de grandes casas, além do início da adoção desses títulos por escolas, a inclusão faria sentido, já que, segundo a CBL, o critério para a criação de categorias foi “um olhar para áreas em expansão”. Foi por isso, por exemplo, que a categoria ciências exatas, tecnologia e informação dividiu-se em duas, uma para ciências exatas e outra para tecnologia e informação.

Karine Pansa não confirmou que as alterações tenham decorrido da polêmica envolvendo o Jabuti 2010 de livro do ano de ficção, entregue a Leite Derramado, de Chico Buarque – segundo colocado entre os romances, perdendo para Se Eu Fechar os Olhos Agora, de Edney Silvestre. “O prêmio precisa ser repensado a cada ano, e não por ter acontecido um fato isolado”, disse. A presidente da CBL argumentou que a meta é “valorizar a marca e diminuir o número de concorrentes que de fato levam o Jabuti. Antes, três em cada categoria podiam se dizer vencedores. Agora, só o primeiro pode falar isso”.

Os valores do prêmio serão mantidos – R$ 3 mil para o primeiro lugar em cada categoria e R$ 30 mil para cada um dos dois livros do ano. Com as novas áreas, o valor total da premiação passa de R$ 123 mil para R$ 147 mil. Questionada sobre se o fato de outros prêmios literários nacionais oferecerem valores maiores não os torna mais atraentes – caso, por exemplo, do Portugal Telecom, que entrega R$ 100 mil ao primeiro colocado –, Pansa concluiu: “Há prêmios que se projetam pelo valor. Acho saudável, mas o Jabuti tem tradição e respeito por sua história. No caso dele, o valor não é fundamental”.

Ao saber que só o primeiro em cada categoria concorrerá nas principais, Luciana Villas Boas, diretora editorial da Record, disse que a editora informaria ontem mesmo aos seus autores que seguirá inscrevendo obras no Jabuti. No ano passado, quando Edney Silvestre perdeu para Chico, a editora afirmou que não inscreveria mais seus autores.

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