Jabuti 2003 destaca a literatura infantil

Pela obra Bichos Que Existem & Bichos Que não Existem, editado pela Cosac & Naify, o escritor Arthur Nestrovski recebeu ontem o prêmio livro do ano na categoria ficção. Cabe a ele a quantia de R$ 15 mil. Já a obra Biodiversidade na Amazônia Brasileira (Estação Liberdade e Instituto Socioambiental) garantiu a seu organizador, João Paulo Capobianco, o livro do ano na categoria não ficção. Ele também recebeu o mesmo valor em dinheiro. A cerimônia ocorreu durante a 11.ª Bienal Internacional do Livro, realizada no Riocentro.Nestrovski e Capobianco ganharam também o Prêmio Jabuti nas categorias infantil ou juvenil e ciências naturais e da saúde, respectivamente. "O texto do livro se assemelha a um glossário de bichos vindos do real e do imaginário popular. Saber quais são os reais e quais são os frutos do faz-de-conta transforma a narrativa num divertido jogo para o leitor", justificou Maria das Graças Monteiro Castro, uma das juradas.Nas demais categorias, a escritora Ana Miranda ganhou o Jabuti de romance com o livro Dias e Dias, da Cia. das Letras, enquanto Rubem Fonseca, com Pequenas Criaturas, da mesma editora, foi escolhido o melhor livro de contos e crônicas. Fonseca, que não aparece publicamente, recebeu recentemente o maior prêmio da língua portuguesa, o Camões, eleito por um júri formado por personalidades brasileiras e portuguesas.Já o poeta Bruno Tolentino levou o prêmio de melhor poesia pelo seu árido mas ao mesmo tempo fascinante O Mundo como Idéia, editado pela Globo. Já a versão em português de Pedro Gracez Ghirardi para Orlando Furioso, de Ludovico Ariosto (Ateliê Editorial), foi apontada como a melhor tradução do ano.Estagnação - Enquanto a premiação ocorria em um salão nobre do Riocentro, os corredores da Bienal permaneciam lotados - até ontem, cerca de 105 mil pessoas passaram pelas catracas desde a quinta-feira, quando a feira começou. A aparente euforia encobria, no entanto, uma situação de estagnação do mercado editorial brasileiro, conforme se verificou pela pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro, divulgada no sábado pela Câmara Brasileira do Livro e pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel). A partir de uma amostragem de 106 empresas selecionadas a partir de um universo de 510 editoras, descobriu-se que o número de títulos editados em 2002 (39.800) apresentou uma ligeira queda, de 3%, na comparação com o ano anterior (40.900). Também o faturamento apresentou uma queda, de 4%: de R$ 2,27 bilhões em 2001 para R$ 2,18 bilhões no ano passado.Houve, no entanto, um aumento de 7% na quantidade de exemplares vendidos, graças principalmente à ação do governo em adquirir livros infantis. "O mercado caracterizou-se pela cautela e pela instabilidade de alguns indicadores, como a desaceleração da economia", comentou Paulo Rocco, presidente da Snel.

Agencia Estado,

19 de maio de 2003 | 11h15

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