Ivan Lessa: Sim, mas e a Mulher-Melancia?

Colunista comenta pesquisa sobre o formato do corpo da mulheres e o desempenho das 'mulheres-fruta' nas eleições.

Ivan Lessa, BBC

13 de outubro de 2010 | 05h57

Cientistas da Northwestern University, em Chicago, sugeriram que o formato do corpo da mulher pode influenciar o desempenho de sua memória após menopausa.

Isso é interessantíssimo. Embora, para cientistas "deduzirem" no meu entender é pouco. Os cientistas têm que afirmar toda e qualquer descoberta em seu campo de trabalho. Caso contrário, a gente perguntava a um Zé Mané qualquer da vida como é que se dão as coisas com a - e fico no exemplo dado - memória da mulher na menopausa.

Chato, mas também verdade, que poucos se interessam por mulher na menopausa. Muito menos em sua memória. Não é misoginia de minha parte, mas o mundo é mau e as coisas se passam assim. Sejamos francos.

A BBC Brasil noticiou com destaque a "sugestão". Imprensa, escrita, falada ou informatizada, não sugere: informa.

Mas isso foi em julho e, de lá para cá, muita gente, muita mulher boa (sem malícia) entrou na menopausa e, logo depois, começou a esquecer coisas. Principalmente que vivia sua menopausa, lá entre os 65 e 79 anos de idade.

A ciência não pode parar. Nada a pode conter. Com ela ninguém pode. Agora mesmo, e aqui no Reino Unido, um estudo (soa com bem mais autoridade do que "sugerir" ou "deduzir", publicado em veículo altamente especializado, Nature Genetics, foi peremptório até onde um estudo pode ser peremptório.

Está lá no preto no branco: há partes de nosso DNA - essa sopa genética que transportamos com o maior cuidado para não entornar - que podem influenciar o formato de nosso corpo. E, continuando sua peremptoriedade, a matéria em questão cita os clássicos formatos de maçã ou pera nas mulheres.

Sempre peremptórios, os cientistas apontaram para o número 13, preto, e nele colocaram todas suas fichas. Treze são os genes que podem afetar ou desempenhar um papel nas formas, para muitos deliciosas, das mulheres.

De qualquer forma, não são apenas boas as notícias. Corpinho ou corpão em formato de maçã ou pera pode levar à diabete e às doenças cardíacas. Atenção: 77 mil pessoas dos dois sexos foram examinadas. Sim, sinto muito, mas homem também pode vir em modelo maçã ou pera. Sorry.

O que me leva ao primeiro turno e, quiçá, ao segundo turno das eleições realizadas, e ainda por se realizarem, no Brasil. Se não me engano, havia uma candidata que oficializou seu nome para Mulher-Pera. Até onde consegui apurar, bom mesário que sou, não foi eleita.

Tampouco o foi a outra, a Mulher-Melancia, embora esta tenha conseguido posar nua em pelo e com sementes para uma conhecida revista masculina. Da Mulher-Jaca, não sei nada. Não está nem na Wikipédia nem no Google. Desejo-lhe, no entanto, muitas felicidades, muitos anos de vida. Sem diabete ou qualquer doença cardíaca.

Resta-me apenas apontar para dois fatos. O primeiro é que, em inglês, principalmente o falado nestas ilhas, pear-shaped também pode significar quando algo ou alguma coisa sai completamente errada, dá em besteira. Não é curioso? Os cientistas não pensaram nisso.

O segundo fato para o qual aponto meu dedinho acusador é o sexismo do assunto. E os homens? Não me refiro aos homens-peras, maçãs ou rãs. Quero lembrar apenas que, no país que troquei por estas ilhas, há um sem número de homens hifenados. Lá estão eles e limito-me a citar apenas o que o Google registra e com fotos: o: Homem-Berinjela.

Pergunto apenas: como vão lá as coisas com esse nossa amizade ? Foi ou é candidato? Eleito? Pegou um segundo turno? Tudo bem em matéria de diabete e coração? BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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