Ittala Nandi leva genética ao palco

O sucesso da peça Copenhagen no Rio está rendendo frutos. A peça - cujo tema central é a ética na ciência a partir da aplicação na prática dos conceitos da física quântica - integra um projeto chamado Arte e Ciência no Palco. Levar ciência ao palco é também o objetivo da atriz Ittala Nandi e de toda a equipe de montagem da peça DNA, Nossa Comédia, que terá leitura dramatizada hoje, às 21h30, na Casa da Gávea, no Rio. Dirigido por Bibi Ferreira, com Ittala Nandi no elenco, o espetáculo tem previsão de estréia para março, em São Paulo.Bibi Ferreira é também diretora da leitura desta noite, que terá no elenco além de Ittala, Cláudio Marzo, Lavínia Vlasak, Claudia Alencar e mais sete atores. O texto foi escrito a quatro mãos por Thiago Santana - co-autor de novelas como Uga Uga e Quinto dos Infernos - e por Leila Macedo Oda, Ph.D. em microbiologia. "A inspiração para a peça vem em parte de Galileu Galilei", diz Ittala. "Nós estamos vivendo um momento de mudanças de paradigmas na ciência. As inovações trazidas pela física quântica e pela ciência da genética equivalem à descoberta de Galileu de que a Terra não era o centro do universo", compara Ittala. "Foi um susto na época. Ele quase foi parar na fogueira. Nossa reação hoje diante da pesquisa genética é semelhante."A ciência genética, claro, é o tema explorado em DNA, Nossa Comédia. O embate da peça se dá entre a cientista Luísa Magaldi (Ittala), pesquisadora em microbiologia e o ecologista Mário Albieri (uma brincadeira com o persoangem vivido por Juca de Oliveira na novela O Clone). Casada, ela é mãe de um jovem estudante universitário, também interessado em ecologia.Defensora da pesquisa genética e dos transgênicos, ela entra em atrito com o filho e o ecologista, que conhece num programa de debates na TV. Para complicar a história, opositores apaixonam-se um pelo outro. "A peça dá saltos entre passado e presente", explica Ittala. Isso porque, para defender seus pontos de vista, Luisa e Mário levantam exemplos históricos de transformações que tiveram origem em descobertas científicas. Assim, Cláudio Marzo encarna personagens diversos como Nostradamus, Galileu, Oswaldo Cruz e Adolfo Lutz."Ela argumenta a favor dos transgênicos mostrando pesquisas sobre a produtividade na lavoura e a diminuição do uso de agrotóxicos. O ecologista teme o risco de consumir produtos cujos efeitos não foram suficientemente comprovados", antecipa Ittala. A argumentação básica da doutora baseia-se na resistência natural e histórica ao novo, à mudança de paradigmas. "Gostaríamos muito de fazer um circuito educional com essa peça."A atriz garante ainda que, apesar do tema, a peça é muito divertida. "É uma história de amor e humor." Há ainda um terceiro importante personagem, a namorada do filho da doutora, âncora do programa de entrevistas. "Ela comunga com as idéias da doutora e o conflito de opiniões acaba se repetindo no jovem casal.""Eu odeio a idéia da proibição", diz Ittala já encarnando o espírito da personagem. "Acho que proibir é tapar o sol com a peneira. Sei que 60% da soja brasileira é transgênica. Acho que a questão não é proibir o avanço da tecnologia, mas discutir a ética na utilização de novos recursos. Talvez os alimentos transgênicos sejam uma solução para a fome no mundo."Ittala ainda não sabe qual será o elenco da montagem que estréia no ano que vem quando fazem exatos 50 anos que Watson & Crick decifraram a estrutura do DNA. "Muito provavelmente Cláudio Marzo permanecerá, mas como quero estrear em São Paulo, por questões de produção, sairia muito caro manter um elenco inteiramente carioca." A montagem já recebeu os apoios da Associação Nacional de Biossegurança (ANBio) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.