Itaú lança exposição dos últimos 25 anos de arte no Brasil

A coleção de arte do Grupo Itaú abrange um período grande - há obras dos artistas viajantes, do século 19, dos modernos e, praticamente, chega até os dias de hoje. ?Cada colecionador tem o seu princípio?, diz Teixeira Coelho, curador coordenador do Masp que recebeu há cerca de um ano um convite do Grupo Itaú para fazer um livro sobre seu acervo abrangente. Um recorte curatorial era necessário para tal tarefa e, por isso, Teixeira Coelho escolheu o da arte brasileira realizada nos últimos 25 anos, entre 1981 e 2006. ?Escolhi o contemporâneo para ser inovador?, diz o curador. O livro ficou pronto, Coleção Itaú Contemporâneo - Arte no Brasil 1981-2006, e o material ainda se desdobrou numa grande mostra, com 127 obras, que será inaugurada nesta terça-feira, 20, no prédio do instituto Itaú Cultural, na Avenida Paulista. Tanto a publicação quanto a exposição foram organizados para a comemoração dos 20 anos do Itaú Cultural. Sempre é complicado fazer recortes, ainda mais se partindo do princípio, como afirma Teixeira Coelho no livro, de que ?toda arte é contemporânea? - ou melhor, ?a boa arte é contemporânea? porque conversa com todos e ultrapassa seu tempo. ?Usei um critério duplo para a seleção: o primeiro, delinear a produção dos últimos 25 anos, já que esse é o período aceito como contemporâneo e, em segundo, procurei obras mais ou menos próximas do que era de vanguarda em seu momento de produção, criação não-conformistas por assim dizer?, diz o curador. Grande parte do que está no livro integra a exposição (poucas são as ausências por motivos diversos como falta de espaço expositivo e por obstáculos causados por família de artistas) - por exemplo, as obras multimídias, entre elas, a famosa Descendo a Escada, de Regina Silveira, e criações de Daniela Kutschat e Raquel Kogan estarão presentes nas mostras de arte eletrônica, caras à instituição. Um dos desafios de se fazer a exposição Itaú Contemporâneo foi o de adequar ?obras contemporâneas num espaço moderno?, como diz Teixeira Coelho. Essa foi a questão que ele colocou a Bia Lessa para criar a cenografia da mostra, organizada por núcleos, entre eles, Informe; Não-Objetos e Antiformas; Palavra Imagem; Icônica; O Juízo Jocoso; Inquietantes Aparências; e Sedução de Todos os Sentidos. Dado o espírito abrangente das criações - ?é uma coleção de obras e não de artistas?, ?não há um segmento em que a mostra se concentra?, afirma o curador. Por serem ?categorias sutis?, como diz Bia Lessa, sua concepção espacial foi a de separar os espaços não em salas, mas por meio de divisórias transparentes que possibilitem ao visitante ?observar e reinventar a exposição já que pode reagrupá-la através de seu olhar?. Enfim, ?uma exposição de arte contemporânea deve então, ou pode, apresentar-se como um laboratório?, como explica Teixeira Coelho. Mesmo assim, o curador aponta como um destaque o núcleo dos Não-Objetos e Antiformas, que reúne obras de grandes nomes como Cildo Meireles, Tunga, Nuno Ramos e Angelo Venosa. ?Há não muito tempo, várias das peças desse bloco seriam descritas como surreais, simplesmente; outras se diriam de linhagem dadaísta; de extração algo construtiva pelo menos uma e de ascendência minimalista mais ou menos duas... A história da arte já cumulou dobras e mais dobras sobre si mesma e as peças referidas neste tópico ingressam agora num outro território ou o rondam em diferentes graus de aproximação e com diferentes intenções?, escreve Teixeira no livro. Coleção Itaú Contemporâneo Arte no Brasil 1981-2006. Itaú Cultural. Avenida Paulista, 149, telefone 2168-1776. 3.ª a 6.ª, 10 h às 21 h; sáb. e dom., até 19 horas. Grátis. Até 27/5. Abertura hoje, 19h30, para convidados

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.