Itaú Cultural exibe a nova arte que nasce da tecnologia

Mostra ´Memória do Futuro´ marca 10 anos de atividades no setor de novas mídias

Agencia Estado

02 de julho de 2007 | 19h04

O ramo da arte tecnológica requer umasérie de outros paradigmas dentro do sistema artístico e, porisso, levanta também algumas questões: as obras tecnológicasficam datadas?; como pode ser feito um acervo com esse tipo detrabalho?; como se dá sua aquisição e conservação eminstituições? O Itaú Cultural, por meio do seu Itaulab, vem háuma década se dedicando à pesquisa e a mostras na área de novasmídias. Para marcar essa data redonda dos 10 anos de atividadesno setor da arte e tecnologia, a instituição inaugura nesta terça-feira, 3, para convidados, e quarta-feira para o público, a exposiçãoMemória do Futuro. É uma espécie de panorama, com uma seleçãode obras marcantes que já foram apresentadas em suas mostras dearte e tecnologia. Mas, ao mesmo tempo, não se pode dizer que setrata de retrospectiva. Porque mesmo as que já foramapresentadas aparecem renovadas (apesar de na sua base já seremobras atuais para as épocas em que foram exibidas) e há aindauma série de trabalhos novos e inéditos. "A tecnologia muda, éuma característica da mídia", diz Marcos Cuzziol, gerente doItaulab. Ainda como parte da exposição, ocorrerá até sábado umsimpósio na instituição. Memória do Futuro, feita com R$ 700 mil, é mostraenxuta, com 13 trabalhos (apenas 2 são de estrangeiros, o belgaJulien de Smedt e o argentino Martin Bonadeo) que ocupam trêspisos do Itaú Cultural. De certa forma, parece uma exposiçãomais integrada do que as outras edições - o percurso dostrabalhos é coeso e nada sobra. Há a possibilidade deinteratividade em grande parte das obras, mas não se pode dizerque essa interatividade seja banal e sem sentido. "Quisemosquebrar a idéia de que o visitante vem à exposição para usar ocomputador que ele já tem em casa", como diz Cuzziol.Obra de Regina SilveiraA afirmação de Cuzziol está muito relacionada, principalmente, com as obrasambientadas no espaço da vida virtual, o Second Life:ArquiteturasMutáveis: MutableArchitectures, de Tania Fraga; eArquiteturas Improváveis, de Giselle Beiguelman e VeraBighetti. "Todas essas obras não foram reunidas para mostrar atecnologia", completa - a questão forte, segundo o gerente doItaulab, é a de que são trabalhos que usam a tecnologia comoferramenta para expressar o que não poderiam expressar sem o usodela. Dessa maneira, muitas das obras se tornam poéticas. No segundo piso subsolo há uma exposição detrabalhos-produtos do Itaulab. Paulista 1919, de 2002, ofereceum passeio pela Avenida Paulista do ano 1919. É um produto quese apresenta educativo - a simulação da avenida, feita a partirde fotografias de época, é acompanhada por uma narração ao fundo-, mas não foi feito com esse propósito, e sim para odesenvolvimento de ferramentas para os artistas usarem em suasobras. "O Itaulab é voltado para a cultura e arte", afirmaCuzziol. Os elementos presentes em Paulista 1919 foram depoisusados na última versão da obra Descendo a Escada, de ReginaSilveira, instalada no primeiro piso. Descendo a Escada é umaversão interativa de Escada Inexplicável 2, de 1999. A escadaestá parada e quando o visitante adentra o perímetro da obra, écomo se ele começasse a descer uma sucessão de degraus - comodado desmistificador da tecnologia e da experiência que elapropõe, há uma vitrine para se ver o que há atrás da obra deRegina (uma tela, um monte de fios...) Enfim, há muitos outrosdestaques na mostra, entre eles, OP_ERA, de Rejane Cantoni eDaniela Kutschat - uma cortina de cordas virtuais para ovisitante ver e tocar. Memória do Futuro. Itaú Cultural. Avenida Paulista, 149,telefone 11-2168-1776. 3.ª a 6.ª, 10 h às 21 h; sáb. e dom., até19 h. Grátis. Até 9/9. Abertura terça-feira, às 19h30

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