Itália perde o filósofo Eugenio Garin

O historiador e filósofo italiano Eugenio Garin, considerado um dos grandes humanistas italianos do século 20, morreu ontem, aos 95 anos, em Florença, informou hoje a imprensa local. Com uma vida acadêmica dedicada fundamentalmente a dois temas, o humanismo e Renascimento, Garin costumava dizer que os "bárbaros" não foram bárbaros por ignorarem os clássicos, "mas pela incapacidade de entendê-los como um fenômeno histórico". Ele considerava a filosofia um "saber histórico". Nascido em Rieti, no centro da Itália, em maio de 1909, Garin formou-se em Filosofia pela Universidade de Florença em 1929 e começou a lecionar nos liceus científicos de Palermo e Florença. Mais tarde, se estendeu a universidades como as de Cagliari, Florença e Pisa. Garin revolucionou o pensamento filosófico europeu, ao estabelecer conexões desprezadas por outros pensadores. Recusou, por exemplo, as teses filosóficas do século 18 que identificavam no laicismo renascentista uma negação dos valores religiosos da Idade Média. Infelizmente, há poucos livros disponíveis de Garin no Brasil. A Unesp lançou há oito anos Ciência e Vida Civil no Renascimento Italiano. A Editorial Estampa, de Portugal, tem uma boa tradução de Idade Média e Renascimento, lançado há exatamente meio século. Garin foi o grande especialista em questões como os problemas culturais da unificação italiana. Diretor da revista Rinascimento até a sua morte, publicou inúmeros ensaios e mais ou menos 30 livros sobre temas tão diversos como iluminismo, a presença da astrologia na Idade Média e a influência do humanismo italiano na filosofia de Erasmo.

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