Itália assina manifesto contra modelos supermagras

O governo e a indústria da moda da Itália assinaram oficialmente, nesta sexta-feira, 22, o acordo para manter as modelos supermagras longe das passarelas. O manifesto também proíbe o uso de modelos com menos de 16 anos, devido ao risco de elas "transmitirem uma mensagem errada para meninas da mesma idade, numa fase delicada de pré-adolescência". "Sessenta por cento das adolescentes de nosso país gostariam de ser mais magras do que são", disse Giovanna Melandri, ministra responsável pela política relativa à juventude, depois da cerimônia de assinatura do documento, em Roma. A Espanha proibiu a participação de modelos de peso muito baixo em setembro. A iniciativa ganhou força depois da morte da modelo brasileira Ana Carolina Reston, de 21 anos, em conseqüência de complicações da anorexia. O acordo, porém, não prevê punições e seu cumprimento não é obrigatório. Mas os líderes da indústria presentes prometeram que as marcas vão seguir as novas regras. Uma das sugestões foi punir internamente as casas que não obedecerem ao novo código, retirando-as de eventos importantes ou das melhores datas. "Trata-se de uma punição técnica. Mas essas questões técnicas são muito importantes na moda", disse Stefano Dominella, presidente da AltaRoma, que organiza os eventos de moda de Roma. O documento pede que as modelos apresentem atestados médicos e diz que aquelas com "transtornos alimentares aparentes" serão impedidas de participar dos eventos. Entre os critérios usados estará o IMC, índice de massa corporal - a proporção entre o peso em quilos e o quadrado da altura em metros. A Organização Mundial da Saúde classifica mulheres com IMC de menos de 18,5 como abaixo do peso. Mas, para o presidente da Câmara Nacional de Moda Italiana, Mario Boselli, cujo grupo representa grandes marcas como Armani, Versace e Prada, o IMC nem sempre é um indicador justo. Ele citou como exemplo uma reportagem que dizia que a modelo Naomi Campbell tem IMC abaixo de 18. "Ela não é anoréxica e tem boa saúde", disse Boselli.

Agencia Estado,

22 de dezembro de 2006 | 23h47

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