EFE/Abed Al Hashlamoun
EFE/Abed Al Hashlamoun

Israel faz duras críticas à decisão da Unesco sobre Hebron

Entidade elegeu a cidade histórica como patrimônio da humanidade em perigo a pedido dos palestinos

EFE

07 de julho de 2017 | 14h48

JERUSALÉM — Israel criticou duramente a decisão aprovada nesta sexta-feira, 7, pela Unesco de declarar a cidade velha de Hebron e a mesquita de Ibrahim (Abraão), lugar venerado pelos judeus como o "Túmulo dos Patriarcas", como patrimônio da humanidade palestino em perigo.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, qualificou a medida de "absurda". "Desta vez decidiram que o Túmulo dos Patriarcas em Hebron é um lugar palestino, o que significa que não é judeu, e que está em perigo", disse em um comunicado.

"Que não é um judeu?! Quem está enterrado ali? Abraão, Isaac e Jacó. Sara, Rebeca e Lea. Os nossos pais e mães. E que o lugar está em perigo? Só onde Israel governa, como em Hebron, há liberdade religiosa garantida para todos", afirmou.

O comitê do Patrimônio Mundial reunido na Cracóvia (Polônia) incluiu "a Cidade velha de Hebron/Al Khalil (Palestina) (...) na lista de Patrimônio Mundial (...) O comitê inscreveu simultaneamente o local da Cidade Velha de Hebron/Al Khalil na lista do Patrimônio Mundial em Perigo", informou a Unesco em seu site.

A Palestina faz parte da Unesco como Estado membro desde 2011.

O presidente de Israel, Reuven Rivlin, acusou a organização de "continuar disseminando mentiras antissemitas enquanto permanece em silêncio quando o patrimônio regional está sendo eliminado por extremistas brutais", disse ao jornal Haaretz.

O porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, Emmanuel Nahshon, utilizou sua conta do Twitter para expressar rejeição à iniciativa aprovada pelo Comitê de Patrimônio Universal, reunido na Cracóvia, por 12 votos a favor, três em contra e seis abstenções.

"A decisão da Unesco sobre Hebron e o Túmulo dos Patriarcas é uma mancha moral. Esta organização promove falsa história. Que vergonha, Unesco" e escreveu junto à bandeira de Israel que "a gloriosa história do povo judeu em Israel começou em Hebron. Nenhuma mentira da Unesco e falsa história pode mudar isso. A verdade é eterna".

O ministro da Educação e principal aliado na coalizão do governo, Naftali Bennet, também usou a rede social para se opor ao gesto: "Anuncio ao presidente da Comissão da Unesco que não renovaremos a cooperação com a organização até que deixe de ser um instrumento político anti-israelense. Quando voltar a ser profissional, renovaremos".

O Conselho Yesha de Assentamentos judeus lamentou em um comunicado a decisão e destacou que Hebron "é o segundo lugar mais sagrado para o judaísmo. Negar 4 mil anos de história judaica é puro antissemitismo".

A mesquita de Ibrahim, ou Túmulo dos Patriarcas, é o templo onde, segundo a tradição, repousam os restos de Abraão, o primeiro dos patriarcas do judaísmo e também da religião muçulmana, e se encontra na Cidade Velha de Hebron, que segundo os palestinos, que pediram a votação, corre risco de destruição pela "ocupação israelense".

O reconhecimento colocará limitações à construção e desenvolvimento do local e dos arredores por parte de Israel, que atualmente mantém postos de controle e estruturas militares em torno do centro histórico para proteger cerca de 500 colonos, na única localidade cisjordaniana com assentamentos no centro da cidade. 

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