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Ismael Ivo estreia coreografia na Bienal de Veneza

'Babilônia, o Terceiro Paraíso', estreia hoje na Ítália; peça chega a São Paulo em junho

O Estado de S. Paulo/ AE,

11 de maio de 2011 | 10h34

A Bienal de Dança de Veneza mantém atividades permanentes durante o ano, além da sua tradicional mostra de espetáculos. O resultado de uma delas chama-se Babilônia, o Terceiro Paraíso, e estreia lá hoje, no Teatro Malibran, onde se reapresenta na sexta-feira antes de seguir para seis outras cidades italianas e aportar no Sesc Pinheiros, no dia 1.º de junho. Tem coreografia e concepção de um entusiasmado Ismael Ivo, brasileiro que há sete anos dirige a Bienal. A obra nasceu da primeira parceria firmada entre a Bienal de Veneza e o Sesc São Paulo, que levou cinco brasileiros a participarem do grupo selecionado para o Body in Progress. Esse curso começou em janeiro, no Arsennale de la Danza, o enorme Centro de Treinamento em Dança Contemporânea de Veneza, e se encerra agora, com essa obra.

Conversando por Skype com a reportagem, Ismael Ivo contou que a experiência de reunir 13 bailarinos italianos, 3 norte-americanos, 1 grego, 1 sueco, 1 francesa e 1 russa aos 5 brasileiros foi sua inspiração para partir da confusão de línguas da bíblica Torre de Babel na nova criação: "Essa Babilônia é um lugar neutro, uma caixa branca sem cenário, onde esses 25 corpos tentam dialogar. Mas, como cada um vem de formação e cultura diferentes, precisa lutar para conseguir se comunicar. Eles colidem, gritam para que sua língua seja ouvida. Pedi que investissem no corpo em desacordo, pois o desarmônico está muito presente na nossa vida".

Os brasileiros foram selecionados em novembro e os outros, em audições realizadas em Veneza e Viena. Nesses cinco meses, viveram a metodologia do "learning by doing" ("aprendendo no fazer") proposta por Ismael. "A cada duas semanas de contato com um professor e uma técnica diferentes, precisavam apresentar publicamente o que haviam aprendido. O desafio foi aprender sem se fixar e sem copiar o estilo que melhor cabe no corpo de cada um, porque o objetivo é fazer deles intérpretes de uma dança que fale do tempo de agora. O mundo islâmico está em transformação, ninguém sabe onde vai estourar a próxima usina nuclear nem o próximo tsunami. Então, sugeri que criassem asas. Partimos de Ícaro e chegamos a um texto de García Márquez no qual um anjo velho cai num quintal e, como não falava latim, não foi reconhecido como anjo pela Igreja e foi posto para viver num galinheiro."

Eles fizeram improvisações em locais públicos e jantares com comidas típicas de cada cultura dos 25 participantes. "Pelos sentidos também se começa a entender o outro. A bailarina grega ficou encantada com a feijoada brasileira." Babilônia, o Terceiro Paraíso completa a trilogia iniciada com The Waste Land e Oxygen.

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