Irreverente rebeldia

Nem o Oscar tirou o estilo bem-humorado de Jennifer Lawrence, que estreia o segundo 'Jogos Vorazes'

Mariane Morisawa, Especial para O Estado de S.Paulo

11 de novembro de 2013 | 02h08

LOS ANGELES - Jennifer Lawrence não pode reclamar de 2013. Em fevereiro, tornou-se uma das mais jovens vencedoras do Oscar de melhor atriz por sua interpretação em O Lado Bom da Vida, de David O. Russell. E, na próxima sexta-feira no Brasil, volta à pele da adolescente Katniss Everdeen em Jogos Vorazes - Em Chamas. O primeiro filme baseado na série de livros de Suzanne Collins rendeu US$ 691,2 milhões no mundo inteiro. As previsões para o segundo chegam a US$ 950 milhões nas bilheterias.

Jogos Vorazes passa-se em um mundo pós-apocalíptico dividido em 12 distritos. No evento que dá nome à série, um menino e uma menina de cada local devem lutar uns contra os outros pela sobrevivência em provas mortais. No primeiro filme, dirigido por Gary Ross, lançado em março do ano passado, Katniss desafiou o poder da Capital de Panem, que controla com mãos de ferro os 12 distritos onde mora a maior parte da população, ameaçando se matar se tivesse de assassinar o amigo-namorado, Peeta Mellark (Josh Hutcherson). O presidente Snow (Donald Sutherland) não ficou nada feliz com a atitude rebelde, e Katniss vê as consequências em Jogos Vorazes - Em Chamas, dirigido por Francis Lawrence: devido a uma mudança nas regras, Katniss, que sofre de estresse pós-traumático, é obrigada a voltar à arena num torneio de campeões, enquanto o povo se rebela nos distritos.

Foi preciso, portanto, pouco mais de um ano para que a atriz de 23, nascida em Louisville, Kentucky, se tornasse uma das maiores estrelas do cinema. Mas, apesar da fama e do reconhecimento, Jennifer continua dando entrevistas surpreendentes e bem-humoradas, como esta que concedeu ao Estado.

Como foi voltar ao personagem pela segunda vez e com novo diretor?

JENNIFER LAWRENCE - Adorei rever todo mundo. É uma ótima personagem, realmente fiquei animada. Francis Lawrence é muito diferente de Gary Ross, muito calmo. Foi uma atmosfera incrível.

Katniss vira um modelo para os habitantes dos Distritos. E você também se tornou um. Sente-se confortável nesse papel?

JENNIFER LAWRENCE - Sim. Às vezes... Acho. Não é algo que você possa dizer que não está a fim. Não é algo que escolhe. Então preciso ter consciência disso. Não tenho ressentimentos em relação a nada.

Há muitos livros e filmes sobre o apocalipse. Por quê?

JENNIFER LAWRENCE - Talvez porque tenhamos feito filmes demais sobre o passado (risos). O bom das produções sobre o futuro é que não há lugar aonde você não possa ir. Em termos de criatividade, é bem mais interessante, porque, se você faz um filme sobre o passado, precisa ser fiel de alguma forma. Com o futuro, tudo sai da sua imaginação.

Acha que há paralelos entre o que Katniss passa no filme e você nos últimos dois anos?

JENNIFER LAWRENCE - Bem, tirando a parte da morte, da guerra e da revolução (risos), sim, há algumas semelhanças em ser jogada nesse mundo muito pouco familiar e tentar segurar as pontas (risos).

O que mudou para você nesse tempo? Precisa planejar quando vai a um lugar?

JENNIFER LAWRENCE - Sim, isso veio com a fama. Mas o Oscar me faz ficar mais nervosa quando estou no set. Aquele sentimento de 'será que vou corresponder às expectativas?'. Mas, claro, tudo isso desaparece bem rapidinho quando você começa a atuar. Aí não tenho tempo de ficar pensando nas minhas inseguranças.

E como foi com essa turma de Jogos Vorazes, que te conhece de antes da fama e do Oscar?

JENNIFER LAWRENCE - Com eles, é a pior coisa que poderia ter me acontecido. Me tornou um alvo ambulante (risos). Por exemplo, se eu erro um diálogo, alguém diz: 'Opa, melhor devolver aquele Oscar, hein?'.

É muito abordada na rua?

JENNIFER LAWRENCE - Tenho ficado em Atlanta, filmando, então não tenho lidado com isso. A primeira vez em muito tempo foi agora, no aeroporto, e mesmo assim os paparazzi queriam saber do término do relacionamento do Liam (Hemsworth) com a Miley Cyrus (risos). Eu fiquei: 'Como assim? (risos). Vocês não têm outras perguntas para MIM (risos)'. Quase mandei um SMS para o Liam dizendo: 'Vai se f..., você e seu rompimento, isso está arruinando meu momento no aeroporto!'. (risos)

Como você responde a esse tipo de pergunta?

JENNIFER LAWRENCE - Não falo nada! (risos) Só entro no carro e mostro o dedo do meio, por trás do vidro preto, quando eles não podem me ver! (risos)

Acha que as pessoas esperam que você se comporte de uma maneira específica hoje em dia?

JENNIFER LAWRENCE - Provavelmente, mas procuro ignorar. É muito complicado porque eu não me sinto diferente. Então não quero que ninguém me olhe ou me trate de maneira diferente. Me faz me sentir estranha.

Mas você não compreende? As pessoas viram em vídeo a sua reação ao encontrar Jeff Bridges, ou Jack Nicholson, ou Meryl Streep.

JENNIFER LAWRENCE - Ah, sim! Mas eles são Jeff Bridges, Meryl Streep e Jack Nicholson, faz sentido! Isso, eu entendo.

Consegue se proteger de tudo isso?

JENNIFER LAWRENCE - Você não pode de jeito nenhum dar um google no seu nome ou ler os comentários. É proibido! Só faço se for para dar risada com meus amigos. Outro dia eles estavam me mostrando as fotos da campanha da Dior, porque eu ainda não tinha visto, e começaram a ler os comentários, mas de uma forma engraçada. Um era assim: 'O nariz dela é tão longo e torto!'. Outro dizia: 'Nossa, ela ficou tão metida!'. E eu falei: 'Caramba, você percebeu só de olhar a foto?' (risos). Aí tinha outro: 'Ela é uma porca nojenta, quero que morra!'. Se não estivesse lendo com amigos e rindo, estaria soluçando.

De verdade?

JENNIFER LAWRENCE - Sim, ninguém gosta de ouvir que é metida ou uma porca que deveria morrer! (risos)

Mas acho que a maioria das pessoas gostaria de ser sua amiga, não?

JENNIFER LAWRENCE - Ah, obrigada. Mas é difícil ser amigo de todo o mundo (risos). Não, brincadeira, é difícil para mim saber o que os outros pensam de mim. Então permaneço num estado de insegurança.

Sei que tem gente que falou para você perder peso. Como lida com isso?

JENNIFER LAWRENCE - Não lido. É completamente estúpido e acontece com toda atriz. Se acham que sou gorda, nem ligo, porque não vou parar de comer! (risos) Vou ficar fazendo dieta até que todo o mundo esteja satisfeito? É ridículo! (risos)

E ninguém fica te falando para controlar sua língua?

JENNIFER LAWRENCE - Claro! O tempo todo! Não sou daquelas que pensam: 'Danem-se vocês, vou ser eu mesma!' Simplesmente não consigo. Eu tento!

Mas é por isso que as pessoas gostam tanto de você.

JENNIFER LAWRENCE - Obrigada! Algumas gostam, outras com certeza acham bem irritante (risos). O que eu entendo, porque eu também me irrito comigo mesma (risos).

E, claro, você tem novos companheiros de elenco.

JENNIFER LAWRENCE - Incrível como todo o mundo se deu bem de cara. O Sam (Claflin) foi ótimo, porque eu e o Josh (Hutcherson) já estávamos cansados um do outro. Então o Josh arrumou um amiguinho novo para brincar, e eu arrumei a Jena Malone. E aí ainda teve o Jeffrey Wright e o Phillip Seymour Hoffman. Quando ele apareceu no set, você só ouvia: 'Gente, o Phillip Seymour Hoffman!'. Todo mundo tinha medo dele no começo! E ele é bacana. Fazia brincadeiras, dava risada com a gente.

Sei que você e o Josh costumam aprontar muito um com o outro no set.

JENNIFER LAWRENCE - Sim, no primeiro filme foi uma loucura. Neste descobrimos o 'miau', que é uma brincadeira em que a gente troca toda palavra com som parecido por 'miau'. Ou cantava músicas em 'miau'. Por exemplo, Everybody Dance Now (canta só com "miaus"). Passávamos horas aperfeiçoando e ensaiando (começa a rir sem parar, fica quase sem ar). Nós morávamos no mesmo prédio durante as filmagens e ficávamos praticando no terraço e trocando arquivos de voz com os ensaios (risos). Então, o 'miau' foi uma grande coisa (risos). Desculpe, isso não vai dar para traduzir no papel.

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