Irmãos e a história deles é real

O ator e diretor Tony Goldwyn fala de A Condenação, com Hilary Swank

LUIZ CARLOS MERTEN, O Estado de S.Paulo

02 de novembro de 2011 | 03h07

Nem só de Mostra vive o circuito exibidor de São Paulo. Estreou na sexta-feira A Condenação. O próprio diretor Tony Goldwyn diz que é seu melhor filme. E foi o que deu mais trabalho. Goldwyn é ator, um daqueles coadjuvantes que você está acostumado a ver em filmes, mas quase nunca identifica. Foi o vilão de Ghost - Do Outro Lado da Vida. Além de atuar, canta e dança no musical Promises, Promises, hit da Broadway, por exemplo. Ele explica, numa entrevista por telefone, como nasceu o projeto do filme.

"Vi na TV a história da mulher que se formou em Direito e virou advogada para defender o irmão, condenado por assassinato. Uma semana depois, ainda pensava naquela mulher, no seu empenho. Aquilo ficou comigo. Conversei com a roteirista Pamela Gray, com quem já tinha uma parceria. Começamos a trabalhar. Foi há oito anos."

Por que o filme demorou todo esse tempo? "Por vários motivos. Um deles é que os estúdios hesitam em investir em histórias de fundo humano e social. É mais fácil ficar fazendo os mesmos filmes. Aventuras, efeitos especiais, comédias teen, terror... Conseguimos o aval de um estúdio, mas eles queriam impor uma atriz. Não conseguia vê-la no papel. O projeto tombou. E foi aí que vi Menina de Ouro. Gostei muito do filme de Clint Eastwood, mas gostei mais ainda de Hilary Swank. Contatei-a, mostrei nosso roteiro e ela topou. A partir daí, o projeto recomeçou a andar."

O cinema contou muitas histórias de erros judiciários. Tony Goldwyn reconhece que A Condenação poderia ser apenas mais uma. O que faz a diferença é a relação familiar. "Foi o que me atraiu, de verdade. Sou um homem de família, reconheço. A gente vê tantas histórias de famílias partidas. Essa devoção de uma mulher pelo irmão me pareceu inspiradora. E é real, ninguém pode dizer que é ficção barata." No filme, a personagem de Hilary é questionada pelo filho. Numa cena, o garoto pergunta para a mãe se valeu a pena. Tanto sacrifício - o pai e ela estão separados - e, naquele momento, Hilary nem sabe se conseguirá provar a inocência do irmão. A mulher retruca - é assim que o filho vê, como sacrifício?

"É o momento-chave para nós, para Pamela e para mim. Independentemente de se manter casada, essa mulher cresce internamente. É o tema secreto de A Condenação. Quanto custa ter uma consciência?" A Condenação não foi um estouro, mas teve boas críticas e foi bem de público nos EUA. "O sucesso de The Help (Histórias Cruzadas), outra produção pequena, mostra que o público tem carência desses filmes humanos. Sinto muito se meu filme não é melhor. Mas quero crescer, como diretor, como ser humano. Ainda estou aprendendo."

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