Irlandês na alma e no sentimento

John Ford nasceu Sean Aloysius O"Feeney no Maine, em 1895, numa família de irlandeses. A Irlanda atravessa sua obra. Idealizada, virou um clássico que até pode não ser o melhor Ford, mas talvez seja o mais representativo, como diz Jean Tulard no Dicionário de Cinema - Depois do Vendaval.

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2010 | 00h00

Alguns críticos ainda discutem se Ford, que esteve preso por contrato a grandes estúdios, foi um autor ou um artesão de luxo nos anos de ouro da Hollywood dos pioneiros. Ele tinha um estilo. Filmava diretamente, sem firulas, movimentando pouco a câmera - e, quando o fazia, em geral era para descortinar, por meio de panorâmicas, a majestade de Monument Valley, a reserva na fronteira entre Utah, Arizona e Colorado em que rodou seus westerns (e que transformou num solo sagrado do cinema).

Não era só o método de filmar que configurava seu estilo. Por mais amplo que seja o cinema de Ford - como a América, que ele reflete, ou sintetiza, como um espelho, na sua grandeza e miséria, nas suas contradições -, existem temas e personagens preferidos neste universo. Pobres, desenraizados, aventureiros errantes. John Wayne foi a encarnação do herói fordiano, mas o mais patético entre eles foi o Hank Worden de Rastros de Ódio, que, no fim de sua jornada, ganha uma cadeira de balanço, e ela vira o seu precário (vacilante?) porto seguro. A retrospectiva traz muitos grandes filmes, alguns deles em versões restaurados. Não há um que seja dispensável.

MOSTRA JOHN FORD

CCBB. Rua Álvares Penteado, 112, 3113-3651. R$ 4. Até 17/10. Programação completa no site

www.bb.com.br/culturaM

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