Marcos de Paula/Estadão
Marcos de Paula/Estadão

Irina Ionesco é condenada por retratar filha nua

Francesa clicou a menina Eva em cenas ousadas, dos 4 aos 11 anos

Flavia Guerra, O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2012 | 19h09

A fotógrafa francesa Irina Ionesco foi condenada na segunda-feira, 17, a pagar 10 mil euros por perdas e danos ao ferir e atentar contra a imagem e privacidade de sua filha Eva, de 46 anos, quando ela ainda era uma menina. O principal motivo da condenação são as fotos de alto teor erótico que a mãe tirou da filha quando ela tinha de 4 a 11 anos.

Filha de imigrantes romenos, Irina é uma das mais controversas fotógrafas da França e seus trabalhos mais marcantes são os ensaios que ela realizou ao longo da carreira com mulheres ousadas, sedutoras, em atmosfera simbolista, burlesca e densa, em que o erotismo e o mistério davam o tom a retratos complexos e sofisticados. 

O trabalho de Irina tornou-se mais notório quando ela, nos anos 70 e 80, realizou ano após ano ensaios em que sua filha era modelo em fotos ousadas. Eva era retratada em trajes adultos, envolta com rendas, plumas, pérolas, joias, por vezes seminua e até mesmo nua. A obra, intitulada Eloge de Ma fill, entrou para a história da fotografia e do erotismo e deu fama internacional a Irina, que costumava chamar Eva de “Minha Princesa”. 

Grande parte dos negativos dessas fotos deverão ser entregues a Eva por decisão do Tribunal de Grande Instância (TGI) de Paris. Outras reivindicações de Eva, como o pedido de proibição de que sua mãe continue usando, e explorando, os negativos, foram negados. Diante da decisão, o advogado de Eva, Jacques-Georges Bitoun, afirmou: “Era uma época em que as redes pedófilas ainda tinham muita influência”. Já o advogado de Irina, René-Jean Ullmann, rebateu: “Uma época mais liberal e mais permissiva".

 

 

Segundo o jornal francês Le Monde, em audiência ocorrida em 12 de novembro, mãe e filha foram confrontadas pelos respectivos advogados. Bitoun, em nome de Eva, considerou que “não se deve misturar o conceito de ‘liberdade’ com os ‘horrores’ dessas fotos, que mostram a menina de ‘meias arrastão’, mostrando seu sexo”. Já Ullmann, seu adversário, entretanto, havia averiguado e descoberto que os fatos foram prescritos. E acrescentou que Eva Ionesco, que havia pedido  200 mil por danos, “foi motivada por um ódio, uma raiva contra sua mãe”. 

Diversos retratos de Eva podem ser vistos on-line, assim como outros realizados por Irina ao longo de sua prestigiada carreira. A fotógrafa, aliás, ganhou em março uma exposição no Brasil, na Casa do Saber do Rio, que organizou a mostra chamada Invenções do Feminino, mesmo período em que a norte-americana Nan Goldin causou polêmica ao ter sua individual (que também trazia fotos de crianças nuas) vetada no Oi Futuro e transferida para o Museu de Arte Moderna.

Eva, que se tornou atriz (estreou no cinema aos 11 anos, em O Inquilino, de Roman Polanski, em 1976) e cineasta, dirigiu em 2011 o autobiográfico My Little Princess (Minha Princesinha), ainda inédito no Brasil, estrelado por Isabelle Huppert, que vive a fotógrafa Hannah. Na trama, Violeta (Anamaria Vartolomei) é uma garota cuja mãe ausente, que permite que a filha seja criada pela avó, sugere que a menina se torne sua modelo. A partir daí, tudo muda na pacata vida de Violeta. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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