Iracity Cardoso, a brasileira à frente do Gulbenkian

Iracity Cardoso, a brasileira que dirige uma das maiores companhias portuguesas de dança, o Gulbenkian Ballet, fundado em 1965, considerou "maravilhosa" a turnê que sua companhia faz pelo País. Dela participam todos os 24 bailarinos do grupo, que têm entre 21 e 39 anos, ou seja, alguns já maduros e outros que são até estagiários. Trabalham seis horas por dia, cinco dias da semana e têm férias de 25 dias no verão europeu, além de compensações quando trabalham nos feriados e estréiam três programas por ano: um no outono, outro no inverno e outro na primavera.Os bailarinos do Gulbenkian abriram na quarta o 18.º Festival de Dança de Joinville, depois de terem se apresentado no Rio, São Paulo e Porto Alegre, encerrando a temporada no sábado, no Teatro Castro Alves, em Salvador. Há 15 anos morando na Suíça, onde chegou a ser co-diretora do Ballet du Grand Théâtre de Genève, Iracity assumiu a direção do Gulbenkian em 1996. Em entrevista ao Estadao.com.br, ela enfatiza a paixão dos bailarinos pelo que fazem.Como você chegou ao Gulbenkian Ballet? Iracity Cardoso - O ex-diretor da companhia (o português Jorge Salavisa) era meu amigo e apresentou-me aos diretores que acabaram me convidando. Mas, o que mais me motivou foi ter visto os bailarinos. Eles têm uma força, uma energia de quem gosta do que faz.Você sente diferença pelo fato deles serem portugueses? É uma companhia latina, portanto, eles são mais emotivos. E por isso também dão mais trabalho, são muito sentimentais, sensíveis e têm paixão pelo que fazem.Qual é a marca da companhia? É a diversidade do repertório. E o fato de que não há estrelas. Todos devem ser solistas.Qual seria essa diversidade? É trabalhar com coreógrafos que têm uma escritura muito pessoal, como Jirí Kylián e Rodrigo Pederneira, por exemplo. Eles não lembram ninguém, só eles mesmos. Não são filhotes de ninguém.Planos para o futuro? Estamos negociando uma nova criação com Jirí Kylián, mas ainda não posso falar sobre isso. A estréia de Stamping Ground (coreografia de Kylián) pela companhia foi em novembro passado. Todas as nossas estréias ocorrem em Lisboa. Só o ano que vem é faremos uma estréia no Porto, que será a capital cultural européia de 2001. Vamos fazer uma criação com o italiano Mauro Bigonzetti, um coreógrafo jovem que tem grande qualidade de movimento, reúne várias técnicas e é muito musical.

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