Ira contra os 'traidores do movimento'

Desde que estourou comercialmente com Dookie, em 1994, e passou a fazer mais sucesso ainda com músicas mais pop, como Good Riddance (Time of Your Life), o Green Day enfrenta críticas de seus fãs mais radicais. Em geral, acusam a banda de ter "traído o movimento", cedido às pressões do mercado em vez de se manterem puros ao estilo que abraçaram no início da carreira.

Carlos Eduardo Freitas / ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

16 de outubro de 2010 | 00h00

"Não tem nada a ver com movimento. É aquela coisa de "não é mais meu", algo que beira o ciúme", diz Philippe Seabra, fundador da banda Plebe Rude. "É uma idiotice sem tamanho. Ninguém aguenta pregar o evangelho para o padre a vida toda. Têm de ir além", comenta Clemente, vocalista dos Inocentes. "O cara reclama que o mundo é uma droga porque só ouve coisa ruim. Aí, a coisa boa estoura, fica popular e vira uma droga? Não faz sentido. Como esse pessoal acha que teria conhecido Dead Kennedys ou o Ramones?"

No Brasil, um dos casos mais emblemáticos é o de João Gordo, vocalista do Ratos de Porão, que passou a ser criticado pelos fãs ao começar a trabalhar na MTV e, agora, ainda mais, na TV Record. Irônico, Gordo costuma dizer que sua banda não era punk, mas hardcore. "Não consigo entender essa história de traição, menos ainda quanto ao João", afirma Rafael Covre, do Flicts. "Ele faz o trabalho dele. Não pago as contas dele. Além disso, o Ratos nunca precisou da MTV. Quem o critica é o cara que vive fora da realidade."

Aos ainda xiitas, outra notícia: A banda Sex Pistols acaba de licenciar seu nome para uma fábrica de perfumes. Sim, já está à venda na Europa o perfume Sex Pistols, criado em parceria entre a empresa de fragrâncias francesa Etat Libre d"Orange e a Live Nation, que cuida dos produtos do Sex. Quem é punk mesmo?

ANARCO-CULTURA

Filmes Bastardos Inglórios

(2009, Quentin Tarantino)

Atrás das linhas inimigas, uma tropa tem a missão de acabar com a Segunda Guerra. Algo como combater o sistema por dentro.

Clube da Luta

(1999, David Fincher)

Um vendedor de seguros ultra-consumista cria uma sociedade secreta com a ajuda de um amigo e começa a provocar pequenas revoluções.

Beleza Americana

(1999, Sam Mendes)

Um trabalhador comum em crise de meia idade se liberta do trabalho em busca de pequenos prazeres perdidos com o materialismo.

Livros

A Guerra dos Botões,

(1913, Louis Pergaud)

A amizade entre os personagens traduz a camaradagem e a solidariedade entre punks.

1984

(1949, George Orwell)

Winston Smith, o personagem principal, é "um punk" que inicia rebelião contra o sistema.

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